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O Índice Bovespa teve, ontem, dois momentos distintos, registrando alta superior a 1% pela manhã e queda na mesma proporção no período da tarde. Ao final da sessão, a bolsa brasileira marcou 87.714,35 pontos, queda de 1,08%.

Se na primeira etapa dos negócios os resultados da eleição parlamentar dos EUA favoreceram uma percepção mais favorável aos mercados de maneira geral, na segunda metade do pregão as incertezas e ruídos do cenário doméstico acabaram por incentivar as ordens de venda de ações. Ao final da sessão, o Ibovespa marcou 87.714,35 pontos, com baixa de 1,08%.

Contribuíram em boa parte para a virada os papéis da Petrobras, que inverteram a alta da manhã e terminaram o dia com perdas de 2,21% (ON) e de 3,27% (PN). Ações do setor financeiro terminaram o dia com perdas que superaram os 3%, como B3 ON (-3,39%).

“Não houve um fator macro que tenha justificado as oscilações, mas houve muito ruído interno, uma vez que o mercado não vê muita clareza sobre o que será o novo governo. Há declarações desencontradas na equipe e o fato é que o mercado não sabe bem como será a política econômica”, diz Camila de Caso, economista da Spinelli Corretora.

Camila chama a atenção para o fato de o Ibovespa ter andado na contramão dos demais mercados acionários pelo mundo, tanto entre os emergentes como entre os desenvolvidos. No final da tarde, o MSCI Emerging Markets, que mede a variação dos índices de ações de 24 países emergentes, tinha ganho de 1,64%.

Outro fator que contribuiu para as incertezas ao longo do dia foram as especulações em torno da permanência de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central (BC).

Na avaliação do chefe de análise de uma grande casa, a votação da autonomia do BC ainda neste ano tem potencial significativo para renovar o otimismo do mercado neste período pós eleição. “Entre as questões com chances reais de serem aprovadas este ano, a autonomia do BC é a que tem poder para manter a chama acesa (do otimismo) no mercado”, afirmou.

Mesmo com as quedas dos dois últimos pregões (-1,04%), a bolsa contabiliza ganho nominal de 6,55% em 30 dias e de 14,81% no acumulado de 2018.

Mercado cambial

Em dia de forte volume de negócios, o dólar teve uma sessão volátil no País, com os investidores acompanhando o mercado externo, onde a moeda americana caiu entre vários emergentes com o partido democrata conquistando a maioria na Câmara dos EUA.

Aqui, as mesas seguiram monitorando o governo de transição de Jair Bolsonaro (PSL) e continuam causando desconforto no mercado as informações desencontradas da equipe, principalmente sobre a reforma da Previdência e o comando do Banco Central. No mercado à vista, o dólar fechou em baixa de 0,54%, a R$ 3,7395. No futuro, o dólar para dezembro terminou o dia em R$ 3,7380, em queda de 0,80%.

Já quanto aos juros futuros, aqueles de curto prazo fecharam a sessão regular de ontem em baixa e os longos em alta.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 7,13%, de 7,153% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 subiu de 8,113% para encerrar ontem aos 8,15%.

A taxa para janeiro de 2023 encerrou em 9,31%, de 9,273% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2025 foi de 9,822% para 9,86%. /Estadão Conteúdo