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São Paulo - O Bradesco planeja ampliar a participação no mercado externo, em 2015, através da expansão de seu braço de investimentos na América Latina e da internacionalização da bandeira Elo, empresa da qual é um dos controladores.

A instituição anunciou ontem, no Brazil Investment Forum, realizado em São Paulo, que a partir de maio o Bradesco BBI começará a operar títulos de dívidas de empresas latino-americanas.

"Hoje, os nossos clientes exigem, cada vez mais, que a gente tenha cobertura por região", afirmou Sergio Clemente, vice-presidente do Bradesco responsável pelas áreas de atacado e banco de investimentos.

De acordo com ele, deverão ser contratados 10 novos analistas para a área de research (setor de pesquisa de mercado) e outros oito para a área de trading (setor de operações), para os escritórios de São Paulo e Nova York da instituição financeira.

Clemente afirmou, contudo, que o Brasil continuará sendo o principal mercado do banco na América Latina.

"A não ser em anos atípicos. Em alguns momentos, vai ter um desequilíbrio e o México vai puxar um pouco [os resultados da América Latina], talvez Colômbia e Peru também, mas nunca serão mais relevantes que o mercado brasileiro", observou o vice-presidente.

Cartões

Também durante o evento de ontem, o presidente da Elo, Eduardo Chedid, informou que a empresa brasileira pretende se lançar no mercado internacional a partir do segundo semestre de 2015.

A bandeira, criada e controlada por Bradesco, Banco do Brasil e Caixa, entrou no mercado em 2011 para competir com as gigantes multinacionais Visa e Mastercard e, em 2014, possuía uma fatia de 6,9% do mercado. A expectativa da empresa é alcançar 15% de participação no Brasil até o final de 2016.

Dentro da estratégia para alcançar a meta, segundo Chedid, está a expansão da bandeira para outras redes de adquirência - hoje, apenas a credenciadora Cielo aceita os cartões Elo - e a internacionalização da marca.

De acordo com ele, a empresa está trabalhando com "alguns possíveis parceiros" para a internacionalização, entre eles a Amex. "Em breve, vamos anunciar a parceria. O que podemos dizer é que procuramos uma empresa que nos dê capilaridade global", revelou.

Macro

Em relação ao cenário macroeconômico brasileiro, Clemente afirmou que "não existe restrição [de crédito] para quem está inserido no contexto [das investigações da Petrobras]". "Eu continuo fazendo a avaliação individual de cada uma das companhias, em linha com nosso rating de crédito", disse. "Somos um banco completo, conhecemos o setor [de óleo e gás] e conhecemos as companhias", completou.