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O segmento Corporate puxará a inadimplência do Bradesco para baixo a partir de 2019. Já com redução nas provisões e com o menor índice de calotes desde 2015, a projeção do banco é de uma volta mais forte da carteira já no primeiro trimestre do ano que vem.

O segundo maior banco privado do País registrou, no segundo trimestre deste ano, uma inadimplência de 3,92%. O número corresponde a uma queda de 0,98 ponto percentual (p.p.) em relação ao observado em igual período de 2017 (4,9%) e representa o menor patamar do índice desde junho de 2015 (3,8%).

“Já estamos em níveis comparáveis, inclusive, com o período pré-crise”, diz o diretor de relações com o mercado do Bradesco, Carlos Firetti, mas pondera que “ainda falta a normalização” do índice para pessoas jurídicas.

“Nosso mix de produtos mudou bastante e a inadimplência já caiu bastante para pessoas físicas. Mas considerando as linhas nas quais estamos crescendo, há espaço para melhora de pequenas e médias empresas [PME] e, principalmente, o segmento corporate, que deve melhorar no primeiro trimestre de 2019, quando a economia começar a engatar de vez”, completa o diretor do Bradesco.

Nos calotes de pessoas físicas, o banco registrou 4,81% em junho, recuo de 1,39 p.p. em relação a igual período de 2017. Para pequenas e médias companhias, a redução foi de 2 p.p. (de 7,2% para 5,2%) e para os grandes negócios, a queda foi de 0,32 p.p. (de 2% para 1,68%), na mesma relação.

Em termos de carteira de crédito, os empréstimos corporativos também foram destaque para o Bradesco.

No segundo trimestre os financiamentos para pessoas jurídicas avançaram 3,5% em relação a igual período de 2017, de R$ 321,5 bilhões para R$ 332,8 bilhões. O destaque foram as grandes corporações, que subiram 3,9%, de R$ 229 bilhões para R$ 237,8 bilhões.

Os empréstimos para as PMEs, por sua vez, mostraram aumento de 2,6%, de R$ 92,5 bilhões para R$ 94,9 bilhões.

“Nas pessoas jurídicas, existem dois efeitos. Primeiro é o câmbio, uma vez que grande parte da carteira é em dólares e sentiu o impacto da variação cambial. Em segundo lugar é a originação mais forte que tivemos nos dois primeiros trimestres”, explica Firetti.

No primeiro semestre, além de o Bradesco ter participado, junto ao Itaú, do novo empréstimo à Odebrecht (R$ 1,7 bilhão), também ficou com a emissão de debêntures da Suzano, feita para a aquisição da Fibria (R$ 4,7 bilhões).

Firetti contrapõe, no entanto, que as questões pontuais de novas operações em grandes empresas não devem se repetir no segundo semestre.

“Os empréstimos continuam afetados pelo ritmo ainda lento de investimentos e, na realidade, será a demanda que direcionará o crescimento dessa carteira”, acrescenta.

O crédito para pessoas físicas do banco, por fim, avançou 6,3% no segundo trimestre ante o mesmo intervalo do ano passado, de R$ 172 bilhões para R$ 182,8 bilhões.

“As concessões de crédito e a contínua melhora da inadimplência também possibilitaram uma redução no guidance da nossa PDD [Provisão para Devedores Duvidosos], que saiu de R$ 16 bilhões a R$ 19 bilhões para R$ 13 bilhões a R$ 16 bilhões”, afirma.

O lucro líquido do banco ficou em R$ 5,2 bilhões, alta de 9,7% frente ao segundo trimestre de 2017 (R$ 4,7 bilhões). Ontem, os papéis do banco mostraram queda (PN) de 2,55%, cotados a R$ 30,56.

Braço segurador

O Grupo Bradesco Seguros apresentou lucro líquido de R$ 3,1 bilhões no primeiro semestre, alta de 18,9% em relação aos seis primeiros meses de 2017 (R$ 2,6 bilhões).

O índice de sinistralidade ficou em 73,8%, queda de 2,8 p.p. na relação com o segundo trimestre de 2017 (76,6%).