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O crédito com garantia de imóvel (home equity) deve ter crescimento mais significativo a partir de 2019, com possível redução do consignado e maior demanda por consolidação de dívidas. Os altos juros futuros ante as incertezas do País ainda trazem obstáculos.

Apesar de os empréstimos consignados terem demonstrado alta nos últimos anos, a demora na retomada do emprego e o aumento da informalidade devem limitar a oferta da modalidade.

“O consignado deve começar a perder espaço se esse cenário continuar, principalmente com a maior informalidade e o menor volume de contratos com empresas”, comenta a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto. “É uma oportunidade grande para o home equity crescer”, completa.

Ao mesmo tempo, a melhora nos indicadores econômicos – como a taxa básica de juros (Selic) no menor patamar histórico e a inflação controlada – também traz maior confiança por parte daqueles que acabaram tomando “dívidas ruins” e caras ao longo dos últimos anos.

De acordo com a CEO da Bcredi, Maria Teresa Fornea, ao menos metade de todos os clientes da companhia entram em contato para consolidação de dívidas mais caras por um empréstimo mais barato.

“Agora que o sentimento de melhora está mais denso, mais pessoas começam a olhar para o crédito de forma mais consciente. Isso tem trazido uma demanda muito forte de quem quer quitar condições de piores de crédito”, diz a executiva.

Na mesma linha, os últimos dados do Banco Central (BC) já apontam que as concessões de crédito pessoal atingiram o maior patamar em mais de dois anos em maio, com cerca de R$ 24,949 bilhões.

Comparada ao mesmo mês do ano passado, a alta é de 8,8% (R$ 22,925 bilhões). Em relação a 2016, o valor chega a ser 44,3% maior do que o observado em maio daquele ano, quando era R$ 17,284 bilhões.

O presidente da Novi Soluções Financeiras, Luiz Pedro Albornoz, reforça, ainda, que mesmo com o cenário de incerteza eleitoral pela frente, as perspectivas para a linha continuam bastante positivas.

“Tanto o credor como o tomador desse crédito estão mais otimistas e mais confortáveis em relação à situação econômica do País”, comenta.

“Vimos o primeiro crescimento de dois dígitos em março, depois de vários meses de queda, por exemplo. E com um direcionamento político mais definido, devemos ter o final do ano e 2019 mais aquecidos”, afirma o executivo da Novi. A empresa, inclusive, está em processo de consolidar a fusão recém acordada com a Barigui Promotora de Crédito.

Juros futuros

Da parte das taxas de juros, ainda que estejam atrativas para o funding da modalidade – atraindo, inclusive, mais investidores –, também trazem ressalvas quanto às taxas futuras que influenciam na linha.

“O grande ponto desse produto é que, por ter prazos mais alongados de pagamento, também acaba sendo impactado pelas taxas de juros futuros”, explica Fornea, da Bcredi.

Ela avalia que, com os juros no atual patamar, há uma “janela importante” para crescimento do produto, principalmente por conta do retorno para os investidores.

“O problema é que o risco Brasil ainda tem feito os juros futuros subirem. Se isso gerar um descasamento em relação ao retorno, o crescimento do produto também será impactado”, completa a executiva.

Para Pasianotto, porém, as expectativas são positivas e devem, a partir de agora, trazer altas mais significativas para a modalidade de empréstimos.

“Com a entrada das fintechs, a linha começa a se expandir. Ainda deve demorar cerca de cinco anos para ter uma representação significativa, mas a iminência de migração para a linha já começa a ficar forte desde já”, conclui.