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O dólar teve nova alta ontem e subiu mais 0,72%, fechando em R$ 3,8377, no maior patamar em mais de dois anos (desde março de 2016). O quadro de elevada incerteza com a economia e as eleições indefinidas fizeram o real se descolar de seus pares internacionais.

O dólar perdeu valor ante as principais moedas de países emergentes, mas no mercado doméstico encostou nos R$ 3,85 pela manhã.

Economistas como os da consultoria Capital Economics e o grupo holandês ING, que veem maior risco da moeda norte-americana ir para além dos R$ 4,00, caso vença, nas eleições presidenciais, um candidato não comprometidos com reformas.

Apesar do mercado mais nervoso, ontem não teve leilões extras de swap do Banco Central. Foram feitas as tradicionais ofertas de novos contratos, que já estavam programadas e injetaram US$ 750 milhões no mercado, e de rolagem (US$ 440 milhões).

Tais ações ajudaram a reduzir um pouco a volatilidade da moeda e, segundo operadores, vendas de dólares por exportadores também contribuíram para a divisa perder fôlego.

Para Durval Corrêa, operador da corretora Multimoney, sem uma atuação mais firme do BC, o dólar não deve mostrar arrefecimento, ao mesmo tempo em que o fato de a moeda seguir em alta mesmo após sucessivos leilões de swap, incluindo os dois extras de ontem, sinaliza que a intervenção no câmbio por esse instrumento pode ter chegado a um ponto de saturação.

“A grande maioria do mercado já fez hedge”, disse ele. Com isso, abre-se espaço para a especulação, com os agentes forçando as cotações para ver quando e como o BC vai agir.

Corrêa destaca que parte da alta do dólar tem sido puxada por investidores estrangeiros que estão deixando a Bolsa, por conta do aumento da incerteza local. “Temos um quadro de indefinição política, economia parada e problemas de governo”, afirma.

Mercado acionário

A falta de atratividade do mercado brasileiro de ações levou o Ibovespa a um novo pregão de perdas, destoando do desempenho amplamente positivo das bolsas de Nova York.

Sem fatos novos com impacto para alterar as percepções, a queda continuou a refletir a falta de perspectivas positivas nos cenários político e econômico do País. O Índice Bovespa terminou o dia aos 76.117,22 pontos, com queda de 0,68%.

Na mínima do dia, registrada pela manhã, chegou aos 75 517,52 pontos (-1,47%). Os negócios somaram R$ 11,8 bilhões. Com o resultado, o índice acumula queda de 0,83% em junho e de 0,37% em 2018.

Para Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor, o movimento é resultado da incerteza dos investidores de renda variável, que não encontram respostas para questões cruciais do País.

“Desde a greve dos caminhoneiros o mercado se mostra mais desconfiado com o governo e cauteloso com as consequências do movimento na política de preços da Petrobras, além dos impactos das concessões do governo nas contas públicas”, disse.

Assim como havia acontecido na véspera, as ações de estatais, por refletirem o risco político, voltaram a se destacar na ponta negativa. Eletrobras ON e PNB caíram 4,47% e 6,34%, nesta ordem.

Banco do Brasil ON perdeu 4,95% e foi a maior perda entre as ações de bancos. Petrobras também fechou o dia em quedas de 1,57% (PN) e de 0,57% (ON). /Estadão Conteúdo