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O Carrefour deverá embandeirar seus 5 milhões de cartões private label no próximo ano. A informação é do diretor-executivo da Cetelem e vice-presidente do Banco Carrefour , Franck Vignard Rosez. "Temos até o fim deste ano para escolher qual será a bandeira. Os primeiros cartões deverão estar no mercado em 2007", disse Rosez ao DCI. Só no ano passado, as compras com o cartão Carrefour somaram R$ 4,5 bilhões, 40% das vendas da rede supermercadista. A Cetelem, do grupo francês BNP Paribas , possui uma joint venture na emissão do Cartão Carrefour. Entre as opções de bandeira, estão a Aura , do grupo, e as líderes MasterCard e Visa .Os números são significativos diante do atual mercado de cartões de crédito no Brasil. São 66 milhões de unidades que movimentaram R$ 127 bilhões em 2005. O Carrefour confirmou a informação e reiterou que ainda não foi definida a bandeira.A Cetelem, presente em 21 países, detém 40% da Carrefour Administradora de Cartões de Crédito (CACC) e expede, no Brasil, o cartão Aura em parceria com grandes redes de varejo, como Fnac , Camisaria Colombo , Fotoptica , Fast Shop e Armarinhos Fernando . A CACC é a controladora do Banco Carrefour, que entrará em operação ainda em 2006. "A Cetelem também deterá 40% na nova instituição, que pretende oferecer seguros, títulos de capitalização e empréstimos pessoais para os clientes do Carrefour", adiantou o diretor executivo da Cetelem.Apesar de atuar no Brasil somente com a Aura, o cartão Carrefour poderá sair com a bandeira MasterCard ou Visa. Na Itália, a Cetelem é um dos maiores emissores do MasterCard e também da bandeira Visa, na Espanha.Em 2005, os cartões Aura alcançaram a marca de 1,1 milhão de usuários, no Brasil, sendo aceitos em 30 mil estabelecimentos e apresentaram um volume de negócios de R$ 2,2 bilhões. Até 2004, eram apenas 493 mil cartões. A Cetelem saiu de um prejuízo de R$ 22,5 milhões, em 2004, para um lucro de R$ 21,9 milhões, no ano passado. A unidade brasileira foi a filial do grupo que atingiu o break even em menor tempo, apenas três anos. Esses números não incluem o cartão Carrefour.A expectativa para 2006 é que o lucro chegue a R$ 60 milhões, que estejam em circulação 2 milhões de cartões e que eles sejam aceitos em 100 mil estabelecimentos. A Cetelem chegou ao Brasil em 1999, mas operava apenas a parceria com o Carrefour. Só em 2002 foi lançado o cartão Aura.O plástico é expedido por redes varejistas e são aceitos em outros estabelecimentos que também o emitem. "O Aura é uma opção melhor que o private label (cartão de loja) porque é mais aceito e porque mantém as vantagens deste tipo de cartão para o lojista, que pode conhecer melhor seu cliente e dispor de uma base de dados para operações de marketing direto. É um cartão do varejo para o varejo: você fideliza o cliente, concede vantagens e segmenta as ofertas", comenta Rosez. Apesar de não emitirem, Casas Bahia e Drogasil aceitam a bandeira da Cetelem.Para atingir as metas de crescimento, a empresa firmou acordos com a TecBan , que possui o Cheque Eletrônico, e com a Getnet , que emite os cartões das bandeiras Sorocred e Good Card . Recentemente, uma parceria de crédito via cheque pré-datado foi assinada com a Tok & Stock . A rede ainda não expede o cartão Aura, mas as negociações já começaram. A intenção é expandir os negócios, que estão concentrados na Região Sudeste, para o Sul e Nordeste brasileiros. "A estratégia é fazer da Aura uma das bandeiras mais importantes do mercado, em três anos, e a solução preferida do varejo para concessão de crédito e emissão de private label", afirma Rosez.Disputa agressivaÁlvaro Musa, sócio diretor da Partner Consultoria , aposta numa disputa acirrada entre Visa, Mastercard e a própria Aura para embandeirar o cartão Carrefour. "A Cetelem tem tido uma postura agressiva no mercado, é uma grande financeira e emissora de cartões em todo o mundo. Seria a chance de a Aura deslanchar no Brasil", diz Musa. Segundo ele, há informações de que outras redes varejistas adicionem bandeiras aos seus cartões. Portanto, o Carrefour estaria apenas seguindo uma tendência do mercado."O movimento de co-branded é saudável, natural, beneficia fortemente o consumidor, que passa a ter mais disponibilidade de financiamento para suas compras, e é positivo também para o varejista e para os bancos, que geralmente são parceiros dessas operações", analisa.Leia mais na página B-8