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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - A tentativa de correção do dólar não se sustentou e a moeda passou a operar em alta ante o real nesta quarta-feira, com a cautela com o cenário externo em meio à disputa comercial e a cena local predominando sobre os negócios.

Às 12:14, o dólar avançava 0,20 por cento, a 3,8670 reais na venda, depois de marcar a mínima de 3,8354 reais. Na máxima, a moeda foi a 3,8703 reais. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,35 por cento.

"Como tinha feito um movimento muito forte no final do dia (terça-feira), o dólar abriu para baixo. Agora, está voltando a ter cautela. Lá fora a questão EUA-China está indefinida. Há ainda receios locais", disse o operador de câmbio da corretora Spinelli José Carlos Amado, citando a reforma da Previdência.

A frágil trégua entre Estados Unidos e China mantinha as preocupações sobre o desaquecimento econômico global, sobretudo depois de o presidente Donald Trump ter deixado claro na véspera que é o "homem das tarifas" e que, se a China não chegar a um acordo durante os 90 dias de trégua, ele não hesitará em elevar os impostos sobre os produtos chineses.

Nesta quarta-feira, no entanto, ele suavizou o discurso ao declarar ter acreditado nas palavras do presidente chinês Xi Jinping durante encontro no final de semana e que o país está trabalhando firme para chegar a um acordo. [nE6N1XK025]

Entretanto, outra retórica dos EUA acabou trazendo um problema geopolítico que se soma à lista de preocupações dos investidores. Nesta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que seu país terá que responder se os EUA saírem do Tratado de Controle de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. [nL1N1YA0I3]

A lista inclui ainda os temores de recessão, surgidos depois que a curva de juros norte-americana se achatou na véspera e gerou uma onda generalizada de vendas nos mercados, hoje aliviada pelo fechameneto de Wall Street em luto pelo falecimento do ex-presidente George H.W.Bush.

"É um movimento natural de esgotamento do ciclo de aperto monetário, já que a política demora a ser repassada para a economia", avaliou o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira.

No mercado internacional, o dólar caía ante a cesta de moedas <.DXY> e operava misto ante as divisas emergentes, com leve alta ante o peso chileno e queda ante a lira turca .

Internamente, os investidores acompanhavam as negociações políticas, um dia depois de novo adiamento da votação do projeto de lei da cessão onerosa.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, indicou nesta manhã que a votação só deve ocorrer em 2019, já que é uma discussão "muito difícil de ser feita em 2 ou 3 semanas".

O fatiamento da reforma da Previdência admitido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro também gerava desconfiança dos investidores.

Na véspera, ele disse que pode dividir o envio de uma proposta de reforma ao Congresso Nacional, que inicialmente deve contemplar mudanças nas regras para o setor público e também que preveja a adoção de uma idade mínima para o recebimento de benefícios, com diferentes idades para a aposentadoria de homens e mulheres. [nL1N1Y920N]

"Acho que, por ora, está tendo muito ruído. O mercado está sendo precipitado. Na hora que o novo governo se sentar na cadeira, vamos ver o que tem para fazer", concluiu Vieira.

O BC vendeu nesta sessão 13,83 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,074 bilhões de dólares do total de 10,373 bilhões de dólares que vence em janeiro.[nAQN0005QV]

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

 

(Edição de Camila Moreira)