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Passada a incerteza eleitoral vista em setembro e outubro, o cenário internacional adverso passa a representar o principal risco para o desempenho das ações na bolsa de valores (B3).

Segundo analistas de corretoras consultados pelo DCI, seis fatores estão no radar das atenções: o aumento dos juros nos Estados Unidos; a guerra comercial de Donald Trump com a China e outros parceiros; a desaceleração do ritmo econômico na Europa; a questão da saída do Reino Unido da zona do euro (Brexit); a crise cambial de emergentes como a Argentina; e a nova diplomacia do Itamaraty no próximo governo Bolsonaro em relação ao Mercosul, Brics e aos países árabes.

“Este último é um ponto delicado, a China é nosso principal parceiro comercial, e o Brasil é deficitário em relação aos EUA. Precisamos de mais detalhes sobre a política externa [brasileira] antes de uma análise”, respondeu o analista da Socopa, Nicolas Takeo.

No geral, Takeo considera que o cenário doméstico pós-vitória de Jair Bolsonaro é bastante otimista para investimentos em ações. “Vemos uma recuperação da economia brasileira nos próximos anos”, argumentou o analista.

Com base nesse ambiente, a Socopa optou por uma nova carteira, sem os papéis de bancos e de estatais que valorizaram muito em outubro. Para novembro, a corretora decidiu trocar IRB Brasil RE por Pão de Açúcar PN, e manteve EcoRodovias ON , Equatorial ON, Ambev ON e Hypera ON na carteira. “O Ibovespa pode alcançar 93 mil pontos até o final do ano”, prevê Takeo.

Em linha semelhante de otimismo, o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos, apontou que o Ibovespa deve atingir entre 96 mil e 105 mil pontos no final de 2018. “Os índices de confiança vão melhorar nos próximos meses, e até o Carnaval há uma lua de mel do mercado com o novo presidente”, afirmou. Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,13%, a 88.419 pontos, renovando a máxima do ano.

Carteiras recomendadas

Diante desse ambiente positivo doméstico e de risco internacional, a Guide preferiu listar papéis ligados ao consumo ou relacionados ao mercado interno. “O dólar mais baixo impulsiona papéis como Azul, CVC Brasil, e no consumo, Lojas Renner e Via Varejo”, exemplificou Passos. Ele também citou indústrias que podem aproveitar a dinâmica do mercado interno como BRF, Marcopolo, Rumo e CSN. “Optamos por aumentar nossa exposição em papéis correlacionados a atividade doméstica; e reduzir risco com ativos relacionados ao exterior”, diz.

Por esse caminho, a Guide retirou da carteira as ações da Gerdau e da Suzano. E na mesma proposta, a Ativa Investimentos trocou Gerdau por Usiminas. “Um foco mais voltado para o mercado interno”, considerou o analista da Ativa, Pedro Guilherme Lima.

Entre os destaques da carteira, ele citou a BR Malls. “A empresa de shoppings reduziu sua dívida nos últimos anos e está focando em ativos de maior rentabilidade. É um setor cíclico que tende a avançar com o crescimento econômico e alavancando [se endividar] num patamar mais saudável”, argumentou o profissional.

Na estratégia ofensiva, a Ativa manteve o papel da Petrobras. “Ainda há espaço para subir num cenário de menor intervenção do governo na economia. Mas existe risco sim, no caso da retirada dos subsídios do diesel, até de uma possível nova greve dos caminhoneiros em janeiro”, disse.

Entre as demais carteiras sugeridas por corretoras para novembro, a Coinvalores trocou Kroton por Cosan, e substituiu MRV por Iguatemi. Já a Planner Corretora retirou de sua carteira BB Seguridade, Itaú, Copel, Ferbasa e Lojas Renner para incluir Braskem, Comgás, Itaúsa, Klabin e Gerdau. Em sua estratégia de longo prazo, a Magliano listou Ambev, BB, BB Seguridade, Bradesco, BRF, Energias BR, Itaúsa, Klabin, Kroton e Pão de Açúcar.