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São Paulo - Com investimento de R$ 3,3 bilhões e uma área equivalente a 114 campos de futebol, o Itaú Unibanco inaugurou ontem seu novo centro de processamento de dados (CPD), em Mogi Mirim. A planta foi projetada para dar folego à demanda do banco pelos próximos 35 anos.

"O novo CPD cria infraestrutura para avançarmos no caminho digital. Mais qualidade, mais agilidade e mais segurança é o que estamos buscando com o novo centro", afirmou o presidente do Itaú, Roberto Setubal.

Todas as transações com cartões de débito e crédito do Itaú já são processadas no novo parque tecnológico. As demais operações do banco de varejo (onde está concentrada a maior fatia dos clientes da instituição), que ainda estão sendo operacionalizadas pelo centro de São Paulo, devem ser transferidas para o Centro Tecnológico do Mogi Mirim (CTMM) até o final de deste ano.

As operações do banco de atacado (voltado para grandes corporações e clientes com alto poder aquisitivo) e asset management (gestão de investimentos), por sua vez, têm prazo até junho de 2016.

A expectativa do banco é realizar 35 milhões de transações em 2015, sendo que a transição não terá nenhum impacto nessas operações, de acordo com Alexandre de Barros, vice-presidente de tecnologia do Itaú.

Barros afirmou que a necessidade da construção do novo CPD surgiu depois de projeção dos meios eletrônicos e digitais feita pela instituição para os próximos cinco anos. Dados do Itaú apontam que, das 31 milhões de operações realizadas em 2014, 42% foram feitas pela internet fixa ou móvel (smartphones e tablets) e 28% em máquinas de cartão de crédito e débito.

Segundo Marcio Schettini, diretor geral de tecnologia e operações da instituição, os investimentos no centro, que estão diluídos em aporte de R$ 11,1 bilhões feitos pelo Itaú em tecnologia entre 2012 e 2015, já estão incluídos nas estimativas (guidance) de despesas da instituição para este ano, projetadas entre 6,5% e 8,5%.

O centro

O CTMM está em um terreno 815 mil metros quadrados e possui 59,8 mil metros quadrados de área construída, na primeira parte do projeto, inaugurada ontem, além de 4 mil quilômetros de cabos.

O centro possui duas "bases" (que ficam a um quilômetro de distância uma da outra), 9,7 mil servidores físicos e virtuais, 26 Peta Bytes (PB) - equivalente a 26 milhões de gigabytes (GB) - de armazenamento e tem capacidade de processamento de 235 bilhões de instruções por segundo.

O terreno já possui outros quatro lotes reservados para a construção de novas bases, previstas para serem inauguradas entre 2023 e 2035. Quando finalizadas, o centro contará com 151,8 mil metros quadrados de área construída.

Barros explicou que os sítios não foram inaugurados todos ao mesmo tempo por conta dos avanços da tecnologia. "Poderemos adaptar os próximos prédios para as tecnologias que estão por vir", disse.

O Centro Tecnológico de São Paulo (CTSP), localizado na Avenida do Estado, a 140 quilômetros do CTMM, será transformado na base de contingência - os outros sítios serão desativados.

Segundo Schettini, a distância entre os sítios de produção (bases) leva em consideração possíveis vulnerabilidades e garantem que, no caso de inoperabilidade do CTMM, o CTSP seja acionado imediatamente, sem paralisação do processamento de dados.

Além disso, a sala de controle possui vídeos para vídeo-conferências com o centro de São Paulo tempo de resposta imediato.

Sustentabilidade

O novo data center do Itaú foi projetado com uma série de ferramentas para deixar a operação mais sustentável e reduzir os custos.

O parque possui uma subestação de energia com capacidade para abastecer uma cidade com 140 mil pessoas; 12 geradores abastecidos com seis tanques de 60 mil litros de óleo diesel, capazes de fornecer uma autonomia de 36 horas ao centro; e 12 torres de resfriamento, entre outros equipamentos. O novo CPD, em total funcionamento, aumentará em 25 a atual capacidade do Itaú.

Apesar de toda a infraestrutura, o centro foi construído de forma a reduzir em 43% o consumo de energia elétrica e deixar de emitir 72 toneladas de gás carbônico. A tecnologia de free-cooling, por exemplo, que filtra o ar ambiente quando abaixo de 23°, permite uma economia de 12% de energia

Regional

O CTMM gerou um incremento mensal de R$ 524 mil na receita de Mogi Mirim, 400 empregos fixos - e outros 2 mil ao longo do período de obras -, além de uma reestruturação na grade curricular das Etecs e Fatecs da região, para contratação de profissionais recém-formados.

Em junho do ano passado, o Santander também inaugurou seu novo data center, com investimento de R$ 1,1 bilhão.