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São Paulo - A concorrência do mercado de capitais como forma alternativa de captação de recursos tem limitado a carteira de crédito do Itaú. No terceiro trimestre deste ano, o banco registrou queda de 8,4% nos empréstimos às empresas, ante igual período de 2016.

De acordo com o presidente do Itaú, Candido Bracher, apesar de as concessões para pessoas físicas terem arrefecido a queda no terceiro trimestre contra igual intervalo de 2016 (-1,4%, de R$ 182,5 bilhões para R$ 179,9 bilhões), a carteira de crédito ainda mostra retração.

De julho a setembro, o crédito total do banco recuou 4,4% em relação a igual período de 2016, de R$ 601,8 bilhões para R$ 575,2 bilhões.

"O movimento do segmento atacado, onde as empresas têm apresentado demanda moderada e buscado alternativas de captação no mercado de capitais, tanto para dívidas como para ações, têm provocado contração da carteira total", explica Bracher.

O recuo nos empréstimos para pessoas jurídicas do Itaú foi de R$ 244,2 bilhões de julho a setembro de 2016 para R$ 223,7 bilhões em iguais três meses de 2017, impulsionados principalmente pela queda de 10,3% no crédito para os negócios de grande porte (de R$ 183,4 bilhões para R$ 164,6 bilhões).

Os pequenos empreendimentos também mostraram retração de 2,8% no período, de R$ 60,8 bilhões para um total de R$ 59,1 bilhões.

Para o presidente do banco, o que vai ditar o ritmo de crescimento da carteira é a demanda e, com o cenário ainda incerto das eleições em 2018 e o consequente adiamento no investimento das empresas, o único fôlego possível tende a vir dos segmentos mais ligados ao consumo e ao varejo.

"Em função da própria queda de juros e da desalavancagem do consumidor, essa demanda deve se manifestar mais cedo, junto com pessoas físicas. Mas a política é um elemento que pode postergar a decisão de investimento", diz.

Ao mesmo tempo, porém, o índice de cobertura expandida do banco - composto pela divisão do saldo da provisão total pela soma dos saldos das operações vencidas há mais de 90 dias - atingiu 246%, o maior patamar em mais de dois anos.

Nesse sentido, apesar de o executivo ter mencionado no início do ano que a tendência era de que esse índice diminuísse, as previsões de queda só devem ter efeito significativo no médio prazo. Bracher explica que essa retração, nesse período médio, deve ocorrer porque as provisões prudenciais feitas pelo banco têm dois destinos possíveis, ambas com "impacto positivo".

"Ou as empresas de fato entram em atraso ou melhoram. Mas até uma dessas coisas acontecerem, ainda não há atraso ou melhora que permita uma reversão", comenta.

"A perspectiva é de que se os juros e os custos financeiros continuem na trajetória de redução, é natural esperar que as empresas recuperem e possibilitem uma reversão", acrescenta o presidente do Itaú.

Margem com clientes

Da outra ponta, um dos aspectos de atenção no balanço do Itaú é a queda de 5,5% na margem financeira com clientes, de R$ 16,310 bilhões em setembro de 2016, para um total de R$ 15,410 bilhões no terceiro trimestre de 2017.

"A dinâmica tem respondido à queda de juros, que impactam na remuneração de crédito e de capital próprio, além da administração de passivos, que também tem pressionado negativamente", diz Bracher.

"Essa redução tem sido mais do que compensada com o custo de crédito 28% inferior e o aumento de 5,5% nas receitas com prestação de serviços, além da redução nominal nas despesas", complementa.

O custo de crédito saiu de R$ 19,1 bilhões nos nove primeiros meses de 2016, para R$ 13,7 bilhões em igual intervalo de 2017. As receitas com prestação de serviços avançaram de R$ 23 bilhões para R$ 24,2 bilhões na mesma relação

O lucro líquido do banco ficou em R$ 6,254 bilhões no terceiro trimestre, alta de 11,8% em relação a igual período de 2016 (R$ 5,595 bilhões).

Citi

Em nota, o Itaú confirmou que realizou ontem a liquidação financeira da aquisição das operações de varejo do Citi e que o primeiro movimento de integração começa hoje. O processo de migração das agências será conduzido em etapas ao longo dos próximos meses e tem conclusão prevista para o primeiro semestre de 2018.