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A Geru lançará uma linha de crédito consignado ainda neste ano, com a proposta de taxas menores do que as ofertadas pelo mercado. Além disso, a expectativa é que após a captação de R$ 240 milhões, mais de 20 mil novas operações sejam originadas até junho.

De acordo com o CEO e fundador da Geru, Sandro Reiss, a modalidade deve ter juros menores do que os do mercado – seguindo a mesma linha da proposta de crédito pessoal da fintech – e ser o primeiro de alguns lançamentos da plataforma neste e no próximo ano.

Para fins de comparação, por exemplo, enquanto a Geru oferece juros entre 1,88% e 5,02% ao mês (a.m.) e prazos de empréstimos pessoais de até três anos para empréstimos de até R$ 50 mil, a média de juros registrada do sistema financeiro – excluindo o consignado – foi de 7% a.m. em novembro, a 39,5 meses.

“Vamos lançar novos produtos em breve e já em 2018 teremos o crédito consignado, que também deve cumprir com nosso objetivo de que qualquer cliente aprovado vai pagar menos do que em qualquer outro lugar”, afirma o executivo.

Ele comenta ainda que a expectativa é que, com o advento das novas tecnologias e startups financeiras, o crescimento seja cada vez mais “expressivo”. “Fechamos 2017 com uma originação mensal de empréstimos em R$ 30 milhões. É um número relevante e que deverá aumentar em 2018”, conta.

O movimento de expansão conta ainda com a captação de R$ 240 milhões pela companhia em operação de securitização realizada em dezembro – a sexta emissão de debêntures em três anos de operações. No período, foram captados cerca de R$ 494 milhões.

“Esse tipo de operação antecipa recursos e deixa a companhia ainda mais robusta. Com essa nova captação, vamos dobrar o valor da nossa carteira de empréstimos e realizar mais de 20 mil novas operações originadas na plataforma da companhia durante o primeiro semestre de 2018”, declara Reiss.

Por outro lado, apesar do otimismo em relação à crescente representatividade desse tipo de plataforma no mercado o CEO da startup financeira coloca em perspectiva os avanços ainda fracos da economia.

“Teremos muitos anos de crescimento relevante para o crédito digital, mas a melhora econômica, que aparece no horizonte do País, ainda demora para chegar na realidade das famílias. Para quem trabalha com consolidação de dívidas como a gente, há boas oportunidades, mas a expansão do crédito ainda não é garantida”, pondera o executivo.

Regulamentação

Nesse mesmo sentido, outro ponto forte no radar da companhia é a nova regulamentação para as fintechs de crédito por parte do Banco Central.

Já no ano passado, a entidade monetária colocou em consulta pública – de agosto a novembro – uma nova regulação para a atuação dessas startups no mercado de crédito. A ação vem como parte complementar da Agenda BC+, relacionada à estratégia de fomentar maior competição ao sistema financeiro nacional.

Para Reiss, apesar dos efeitos positivos que a regulamentação do setor traria, a instauração de uma nova norma deveria estar correlacionada às ações mais significativas em relação ao spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos com os juros cobrados do consumidor) e à disponibilização de informações aos players – situação prometida pelo cadastro positivo, também na agenda de microrreformas do governo.

“A grande questão são os itens desse indicador no País. Na composição, a maior ineficiência do spread é a inadimplência, que sempre existirá. Além disso, existe um arcaboço legal e regulatório que ainda poderia melhorar muito em aumentar a disponibilidade de informações de crédito no mercado”, avalia Reiss.

“Nesse cenário, o andamento de uma definição e a indicação positiva da economia, ajudariam ao longo de 2018”, complementa o executivo.

Quanto aos clientes da Geru, Reiss afirma que são pessoas entre 25 e 50 anos de idade, sendo a maioria (70%) com nível superior. Além disso, dos que tomam empréstimos pela fintech, 60% são para refinanciar dívidas mais caras e 15% de microempreendedores.