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Apesar de bastante cautelosas, as cooperativas de crédito começam a analisar possíveis parcerias com fintechs. A expectativa é que, com um acordo entre as partes, as iniciativas tragam uma redução nos custos do sistema cooperativista até 2019.

Os avanços são diferentes para cada cooperativa. Enquanto o Sicoob e o Sicredi, por exemplo, já possuem programas próprios para facilitar o contato com as fintechs, a Unicred, por sua vez, ainda passa por um momento de “avaliação das oportunidades” existentes.

As três principais cooperativas de crédito pontuam, no entanto, que o cuidado na transformação digital é essencial para o sistema.

“Não dá para fechar as portas para as fintechs, mas é preciso um processo. O descontrole em uma instituição financeira não é bem visto e é preciso responsabilidade em um ambiente com mais de 3 milhões de donos”, explica o líder de transformação digital do Sicredi, Tiago Nicolaidis.

O mesmo pontua o novo presidente do conselho de administração da Unicred, José Maria de Azevedo.

“Não temos condições financeiras, atualmente, para apostar em tudo e, como os ciclos são reduzidos, olhamos para isso com cautela”, comenta o executivo. “Mas acredito que, em um período de um ano, já tenhamos algo mais definitivo”, acrescenta Azevedo.

Do lado das fintechs, os encontros para exposição de operações com interfaces bancárias e para fomentar “novas frentes de negócios e o desenvolvimento de APIs [interfaces de programação de aplicações] também começam a ser cada vez mais frequentes.

“O segundo maior segmento atendido pelas fintechs no Brasil é o de crédito, financiamento e negociação de dívidas, com 21% dos casos”, disse o diretor da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Bernardo Pascowitch.

Ele completa que, em julho, inclusive, as principais lideranças de inovação no setor financeiro e fintechs associadas se reuniram para discutir o tema, atendendo a um pedido do Sicoob e do Bancoob.

“As fintechs têm potencial e estão desenvolvendo soluções tecnológicas que atendem às necessidades das cooperativas, fomentando a inovação, ganhando confiança e credibilidade do mercado financeiro nacional”, conclui Pascowitch.

Mesmo em um momento onde o forte investimento em novas tecnologias já acontece em grandes instituições bancárias, por outro lado, o presidente do conselho da Unicred afirma “não ter medo de atrasos”. “Nós vamos embarcar, só precisamos analisar direito qual é o nosso voo”, disse.

Benefícios

Ao mesmo tempo, as discussões em torno dos benefícios que tais parcerias trariam ao sistema cooperativo também começam a ganhar força.

De acordo com o gerente de desenvolvimento do Sicoob, Hugo Rodrigues Ferreira, as parcerias com as iniciativas financeiras significam “grande possibilidade” quanto à redução de custos do sistema.

“Claro que é preciso cuidado e também é necessário entender quais são as que terão capacidade de se adaptarem à nossa atuação, mas a ideia é de que essas fintechs nos ajudem bastante em tornar as estruturas mais enxutas para que possamos não somente melhorar a eficiência operacional como também reduzir os preços dos nossos produtos”, avalia.

A expectativa dos especialistas entrevistados pelo DCI é de movimentos cada vez mais fortes na direção tecnológica.

“A redução de custos acaba sendo muito importante, principalmente porque, no final do dia, é uma conta que é repassada aos nossos associados. O foco em fintechs e no digital é uma tendência forte para o sistema”, completa Nicolaidis.

No primeiro semestre, todas as três cooperativas apresentaram crescimentos de dois dígitos em seus ativos totais.

A maior alta foi do Sicredi, que avançou 20,6% nos seis primeiros meses deste ano em relação a igual período de 2017, para R$ 87,7 bilhões. Em seguida veio o Sicoob, com um aumento de 16,3%, para um total de R$ 97,1 bilhões e, por fim, aparece a Unicred, com uma alta de 13,2% no período, atingindo R$ 11,7 bilhões.