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- As preocupações com a reação do mercado ao resultado da votação sobre abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, no próximo domingo, levaram a XP Investimentos a exigir mais garantias de seus clientes.

"Devido à forte volatilidade do mercado nos últimos dias, alteramos as garantias", afirmou a maior corretora independente de varejo do país em nota distribuída ontem.

Em outro comunicado, a XP diz que após a abertura da próxima segunda-feira, dia 18, "o comitê de risco definirá se ocorrerá a normalização das exigências de garantias".

De acordo com o diretor Institucional da XP Investimentos, Carlos Ferreira, a corretora está readequando suas margens às da Bovespa para não correr o risco de ver clientes sofrendo prejuízos expressivos.

"Diante de um cenário binário como a votação do impeachment, trata-se de uma prática natural", afirmou o executivo, lembrando que alguns dos percentuais praticados pela XP estavam abaixo dos exigidos pela Bovespa.

A decisão da corretora leva em conta um cenário de estresse no mercado, em que considera oscilações para cima e para baixo de 14% no dólar e de 18% no Ibovespa. De acordo com o comunicado aos clientes, a XP elevou os percentuais de garantias para swing trade, operações em que o investidor fica posicionado poucos dias, para 17% no caso de contratos e minicontratos futuros do Ibovespa e para 12% nos contratos e mini contratos de dólar futuro. Antes, esses percentuais eram 8% e 6%, respectivamente.

Os valores de day-trade, operações que são abertas e encerradas no mesmo dia, permanecem os mesmos, de acordo com a corretora.

Para Bovespa, a XP diz que agora trabalha com percentual de 125% do deságio exigido pela bolsa para colocar as ações em garantia, contra 100% anteriormente. A XP Investimentos tem uma base de cerca de 120 mil clientes, sendo que entre 40 mil e 50 mil são ativos em Bolsa. /Reuters