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O dólar subiu 0,61% ontem, cotado a R$ 3,4706. Embora sem repetir o mesmo comportamento com os emergentes, especialistas dizem que pelo estreitamento do diferencial entre os juros brasileiros em relação aos norte-americanos, o real não está tendo folga.

O movimento acontece pelo estímulo às operações de hedge por aqui. O movimento foi de US$ 1,3 bilhão. O dólar para maio, subia 0,45%, para R$ 3,47 e girava US$ 23,5 bilhões - o volume alto, na proximidade de vencimento de mês, também já tende a começar a interferir nas cotações. No mês, a moeda americana acumula alta de 5%.

Nas últimas semanas, o mercado tem observado que está muito vantajoso para o estrangeiro comprar ativos no Brasil e fazer “hedge na moeda”, por conta do patamar mais baixo dos juros no Brasil e mais alto das taxas americanas e da libor, que interferem no cupom cambial.

Como exemplo, além de comprar uma ação ou outro ativo qualquer, esse investidor compra também dólares e garante um retorno ao redor dos 3,5% nessa operação.

De acordo com um gestor, essas operações indicam confiança no Brasil, uma vez que não há movimento de proteção baseada na venda de ativos, mas de compra de ativos como proteção via câmbio.

Mercado acionário

Já o Índice Bovespa resistiu à influência negativa das bolsas de Nova York e terminou o pregão de ontem perto da estabilidade, aos 85.469,07 pontos, com recuo de 0,16%.

O volume foi próximo da média dos últimos dias (R$ 9,5 bilhões) e fluxo de estrangeiros perto do equilíbrio, segundo a percepção de operadores.

A expectativa otimista em torno da divulgação do balanço da Vale manteve o papel em forte alta, o que acabou por amenizar as perdas do índice.

As ações da Petrobras, por sua vez, tiveram baixas leves, apesar da forte desvalorização dos preços do petróleo.

“Esse aparente descolamento do Ibovespa em relação às bolsas de Nova York deve-se em parte à expectativa por balanços corporativos da semana. Com isso, Vale, Bradesco e Santander foram ações que tiveram desempenho acima da média”, disse Carlos Soares, analista da Magliano.

Vale ON terminou o dia com alta de 1,71% e respondeu pelo segundo maior volume de negócios na B3, atrás apenas de Petrobras PN. As units do Santander subiram 0,15% e Bradesco PN avançou 0,18%.

O recente estabelecimento no fluxo de estrangeiros também foi apontado como fator a amenizar perdas na bolsa brasileira nesta terça.

Na última sexta-feira, houve ingresso líquido de R$ 325,2 milhões na B3. Em abril, o saldo acumulado já está positivo em R$ 3,288 bilhões.

“A expectativa por balanços contribuiu para esse comportamento mais comedido, mas nada impede que a bolsa entre novamente num movimento mais forte de correção, especialmente se as tensões no exterior continuarem a alimentar a aversão ao risco”, afirmou o operador de uma corretora.

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), por sua vez, encerraram a sessão regular de ontem em leve alta. O DI para janeiro de 2019 encerrou a sessão regular a 6,23% ante 6,224% no ajuste anterior, enquanto a taxa com vencimento para janeiro de 2020 fechou a 6,92%, de 6,92%. O DI para janeiro de 2021 subiu a 7,94%, de 7,93% e o vencimento para janeiro de 2023 avançou para 9,21%, dos 9,18% anteriores. /Estadão Conteúdo