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O dólar subiu 1,17% e fechou ontem (13) com o maior valor do Plano Real, em R$ 4,1998. Preocupações com as eleições seguiram ditando o ritmo das cotações e o real se descolou de outras moedas de países emergentes, que hoje subiram ante a divisa americana.

A Argentina foi outra exceção e o dólar chegou muito perto de 40 pesos, o que também contribuiu para o clima de maior nervosismo por aqui. No mercado futuro, o dólar para outubro fechou R$ 4,2140, sinalizando que a moeda norte-americana pode testar esse novo patamar.

Até ontem, a maior cotação do Plano Real havia sido atingida em 21 de janeiro de 2016, de R$ 4,1705, refletindo uma decisão inesperada do Banco Central de manter a taxa Selic inalterada, quando o mercado esperava uma alta de 0,25 ponto percentual.

O Banco Central seguiu fora do mercado, sem ofertar novos recursos, fazendo apenas a rolagem de contratos de swap. A última atuação do BC foi dia 31 de agosto, quando realizou leilões de linha com compromisso de recompra.

No cenário político, os profissionais destacam que o clima é de cautela, com os investidores aguardando a nova pesquisa do Datafolha, que sai na noite desta sexta-feira, e monitorando os rumos da campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Para o operador de câmbio da Fair Corretora, Hideaki Iha, a preferência do mercado era Geraldo Alckmin (PSDB), mas os agentes têm menos medo de Bolsonaro do que de Ciro Gomes (PDT) ou Fernando Haddad (PT).

O analista da gestora Bulltick em Miami, Klaus Spielkamp, disse que atende clientes de vários países da América Latina e a percepção deles em relação ao Brasil é a mesma: a elevada incerteza sobre o resultado das eleições, que pode ter a volta de um governo de esquerda ou a vitória de um nome de extrema direita ou ainda outros com perfis mais moderados. “Como o segundo colocado está muito indefinido ainda, ninguém consegue montar um único cenário do resultado”, ressalta ele.

Na dúvida, afirma o analista, muitos agentes preferem ficar fora do risco Brasil por enquanto, ajudando na disparada do dólar.

Bovespa

Na contramão das bolsas de Nova York, o Índice Bovespa teve um pregão de perdas ontem, mais uma vez influenciado pela indefinição do cenário eleitoral doméstico. O índice chegou a registrar leve valorização no início dos negócios, mas perdeu sustentação e migrou definitivamente para o terreno negativo, chegando ao fechamento com 74.686,67 pontos, em baixa de 0,58%.

A alta do dólar ante o real foi importante termômetro dos temores do mercado e exerceu influência determinante no viés de baixa do Ibovespa, segundo operadores. Ao contrário do que vinha ocorrendo dias atrás, nem mesmo as ações de empresas exportadoras escaparam da queda.

“Pela manhã o mercado ensaiou uma alta, acompanhando o cenário externo mais favorável. Mas o ambiente de ruídos do cenário eleitoral acabou por levar a bolsa novamente para negativo”, afirmou Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae. “Nesse ambiente, o mercado vive cada dia de uma vez”, disse.

As ações da Petrobras também tiveram importante influência sobre os negócios do dia. Petrobras PN respondeu pelo maior volume de negócios (R$ 670,3 milhões) e teve queda de 1,27%. Petrobras ON caiu 1,40%./Estadão Conteúdo