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A mudança de humor nos mercados globais para positivo na semana passada mostrou que o dólar ficou mais fraco ante outras divisas fortes, como o euro, e favoreceu o investimento em commodities de países emergentes, em benefício do ouro e petróleo.

Na avaliação de especialistas consultados pelo DCI, a previsão de US$ 1,2 trilhão de déficit fiscal nos Estados Unidos para o orçamento de 2019, após um acordo entre democratas e republicanos, ajudou nessa desvalorização da moeda norte-americana.

“Grandes investidores buscam compor uma parte de suas carteiras com ouro para se proteger (seguro, hedge) no caso de eventual crise”, afirma o trader (negociador) de ouro da corretora Reserva Metais, Edson Magalhães.

Na última sexta-feira, por exemplo, os mercados voltaram a mostrar muita volatilidade (altos e baixos) nos preços dos ativos. O dólar à vista fechou em baixa de 0,12% em relação ao real, cotado em R$ 3,2256, enquanto o preço internacional do petróleo Brent no centro financeiro de Londres (Inglaterra) mostrava alta de 0,60%, negociado a US$ 64,64 o barril. O petróleo WTI, referência do Texas (EUA) também teve elevação de 0,55% para US$ 61,68, o barril.

Visto num horizonte de tempo maior, o valor do ouro negociado em Nova York já avançou 9,25% para US$ 1.355,30 por onça-troy (31,1 gramas) nos últimos 12 meses. No Brasil, a cotação subiu 2,73% em 2018 para R$ 139 o grama, na comparação com R$ 135,30 no início de janeiro, e após ter valorizado 13,9% em 2017.

Embora muito negociado no exterior, o investimento financeiro em ouro no Brasil é relativamente pequeno. “Em ETFs de ouro na bolsa de Nova York são negociadas 821 toneladas. Aqui, o segmento BM&F da B3 movimenta 9, 10 quilos”, compara o gerente do Banco Ourinvest, Bruno Luigi Foresti.

Além da liquidez menor no mercado financeiro doméstico, o trader da Reserva Metais, lembra que uma elevação mais consistente dos juros nos Estados Unidos pode influenciar as cotações do ouro. “Em condições normais, o metal é afetado pelo aumento dos juros nos EUA. Mas, desta vez, talvez ocorra uma mudança de paradigma, e o ouro mostre uma correlação positiva. Esse movimento [de alta do ouro] ocorre desde o Brexit, em junho de 2016”, diz Magalhães.

Segundo o diretor da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, a valorização do ouro no mercado global ainda não se traduziu numa maior procura pelo ativo no Brasil. “O investidor local está procurando a bolsa de valores por causa da baixa da Selic”, diz Cavalcante. O diretor conta que a demanda do metal por compradores da China e Índia é forte. “A produção brasileira está indo para exportação e joalherias”, diz.

Contrabando no garimpo

Quanto à oferta de ouro no mercado doméstico, o Brasil é o 12º maior produtor mundial, com cerca de 80 toneladas por ano (equivalente a R$ 9,5 bilhões), mas boa parte exportada (US$ 2,33 bilhões), segundo o último relatório da Agência Nacional de Mineração.

“O alta da Compensação Financeira sobre Recursos Minerais (CFEM), de 0,2% para 1,5% no final de 2017 nos garimpos pode afetar a produção legal. Por R$ 2 a R$ 3 a menos para o garimpeiro veremos o aumento da informalidade (contrabando)”, avisa Magalhães.