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O dólar teve na última sexta-feira, uma sessão volátil e terminou em alta de 0,38%, a R$ 3,8953. Foi a quarta sessão consecutiva de valorização, em meio ao aumento da aversão ao risco no exterior.

A moeda americana começou os negócios na sexta-feira em alta e alcançou a máxima de R$ 3,9248 logo pela manhã, mas passou a cair após a divulgação do relatório mensal de emprego dos Estados Unidos, que mostrou números mais fracos que o esperado, sugerindo que o gradualismo vai continuar no processo de alta dos juros na maior economia do mundo.

Com isso, o dólar perdeu força perante boa parte das moedas de emergentes, como México, Rússia e Turquia. A queda no mercado doméstico, porém, durou pouco e o dólar passou a alternar altas e baixas ao longo do dia, que também teve a reunião da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), com anúncio da redução do produção do petróleo.

Na semana passada, o dólar à vista acumulou alta de 0,95%. Nos últimos 30 dias até sexta-feira, a moeda subiu 4,17%, o segundo pior desempenho entre emergentes no mesmo período, atrás apenas do peso da Argentina, mercado onde o dólar subiu 4,92%.

Operadores relatam que o fluxo de saída de estrangeiros continuou na sexta-feira, pressionando o mercado à vista de dólar. Mesmo sem a entrada do Banco Central no mercado, o dólar não tem conseguido romper de forma consistente o patamar de R$ 3,92.

No final do ano aumenta a necessidade de dólar pelos agentes, ressalta o gestor de investimentos da Western Asset Management Company, Adauto Lima, o que pressiona o câmbio. Além disso, o cenário externo mais conturbado, com queda das commodities, sobretudo o petróleo, e a piora das perspectivas para a economia mundial oferecem pressão adicional aos emergentes.

No mercado doméstico, as notícias do futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) não estão influenciando os preços no câmbio, mas seguem sendo monitoradas pelas mesas de operação. Entre elas, o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que mostra movimentações financeiras suspeitas de um ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Sem perspectiva que o investidor estrangeiro volte a trazer recursos para o Brasil ainda neste ano, o Bradesco elevou a previsão para o dólar no encerramento de 2018, de R$ 3,70 para R$ 3,80. No próximo ano, o banco manteve a previsão em R$ 3,70. O andamento do ajuste fiscal no governo de Jair Bolsonaro (PSL) deve ajudar a retirar a pressão no câmbio, ressalta relatório do banco, que tem como economista-chefe Fernando Honorato Barbosa. "Caso a agenda seja realmente positiva, não é possível descartar uma apreciação adicional da moeda", afirmou.

Ajuste no Ibovespa

A volatilidade dos ativos no cenário internacional exerceu influência direta sobre o desempenho das ações brasileiras e o Ibovespa fechou aos 88.115,07 pontos, em baixa de 0,82%. Refém da instabilidade das bolsas americanas, o índice brasileiro terminou a semana passada com perda de 1,55%.

O contraponto foi o petróleo, que chegou a subir mais de 5% e manteve as ações da Petrobras em alta, o que amenizou a baixa do Ibovespa.

O viés negativo foi dado pela Vale (-1,93%), e no setor financeiro, Banco do Brasil ON caiu 0,77% e Bradesco ON recuou 1,29%. /Estadão Conteúdo