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No dia em que o Banco Central fez o maior volume de intervenção no mercado de câmbio dos últimos meses, despejando US$ 5 bilhões para segurar o dólar em três leilões extraordinários, a moeda dos Estados Unidos não cedeu e fechou em R$ 3,8095 (+2,53%).

Segundo especialistas, o movimento de ontem reflete o fortalecimento do dólar no exterior, que teve forte alta ante divisas de emergentes como Argentina, Turquia e México, mas também embute a inquietação do mercado com a falta de sinalização mais clara do BC sobre o que pretende fazer no câmbio a partir da semana que vem. O real foi a segunda moeda que mais caiu ante o dólar entre os principais mercados emergentes do mundo, atrás apenas da Argentina.

Hoje, termina o prazo para a colocação de US$ 24,5 bilhões em ofertas extras de swap cambial, volume prometido pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na semana passada, quando a moeda rondou os R$ 4,00. Desse total, US$ 18,7 bilhões já foram colocados até o momento, sendo que ontem foram ofertados 100 mil contratos. Ilan disse que o BC não tem preconceito contra nenhum tipo de instrumento, mas não sinalizou, até agora, qual será o próximo passo de atuação no câmbio.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do BC, avalia que a atuação da instituição por meio da oferta de contratos de swap é justificada, pois os dados mostram que não tem havido grande demanda para dólar à vista, o que reduz a necessidade de outros instrumentos de intervenção. Além disso, o fluxo cambial mostra entrada de recursos, o que reduz a pressão no mercado. Com isso, a visão do banco é que o BC atua para evitar uma “dinâmica perversa” ou corrigir “volatilidade excessiva”, mas não para defender um nível de preço para o dólar aqui.

Pela manhã de ontem, o dólar chegou a cair para R$ 3,68, com o alívio causado no mercado financeiro internacional pelo anúncio da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Pela tarde, preocupações comerciais, sobretudo entre a relação da Casa Branca com Pequim, falaram mais alto e o dólar engatou novo fortalecimento entre as principais moedas.

Não houve um fato novo para justificar os movimentos de forte venda do real, ressalta o operador da corretora Multimoney, Durval Corrêa. Seguem as dúvidas sobre as formas de ação do BC no câmbio e, ao mesmo tempo, no cenário externo, o dólar chegou a bater máxima ante o peso argentino.

Bovespa

A Bovespa foi refém do estresse visto ontem nos mercados de câmbio e juros, em meio ao movimento de aversão ao risco no Brasil e no exterior. O Índice Bovespa chegou a subir 0,81% pela manhã, mas sucumbiu diante do desempenho negativo dos outros ativos e fechou em queda de 0,97%, aos 71.421,19 pontos. Os negócios somaram R$ 11,3 bilhões, o maior da semana até agora, mas ainda abaixo da média das últimas semanas.

O estrategista da Guide afirma que pesa bastante no mercado de ações a incerteza quanto à atuação futura do Banco Central no câmbio e sobre qual será o novo patamar de equilíbrio do dólar.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir sobre a Selic, atualmente em 6,50%, e a precificação da curva a termo mostrava 100% de chance de elevação da taxa básica./Estadão Conteúdo