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Diferente da caderneta de poupança que teve resgates de R$ 2,5 bilhões no mês passado, os fundos de investimento mostraram captação líquida de R$ 6,3 bilhões em outubro, segundo dados do boletim da Anbima divulgados ontem.

O bom desempenho da atratividade das carteiras foi atribuído ao clima de otimismo logo após o primeiro turno das eleições, o que levou os investidores a aportarem mais recursos em fundos de ações e multimercados.

“A probabilidade de um governo mais liberal na economia estimulou muitos investidores a alocarem recursos em carteiras de maior risco. Para novembro, vemos uma continuidade desse movimento“, comentou o gestor de fundos da Guide Investimentos, Leonardo Uram.

Ele contou que a maior parte dos gestores de fundos de ações da subcategoria livre “navegaram muito bem” durante o período eleitoral e conseguiram superar o desempenho do Ibovespa. “É muito difícil uma carteira superar o índice numa alta expressiva como a vista”, diz.

De fato, pela média apurada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de ações de gestão livre tiveram alta de 10,12% em outubro, enquanto o Ibovespa subiu 10,19%.

Ao passo que fundos da subcategoria índice ativo tiveram ganhos de 11,66% no mês passado; as de small caps avançaram 11,55%; e na sequência por carteiras de dividendos (11,41%), setoriais (10,94%); e de sustentabilidade e governança com 10,2%. “Todos os fundos de gestão ativa foram muito bem”, avaliou Leonardo Uram.

O gestor também percebeu que houve uma grande realocação de risco nos fundos multimercados. “Os gestores estavam com exposições maiores no exterior [até setembro] e migraram comprando bolsa e vendendo dólar em outubro”, identificou.

A estratégia trouxe rentabilidade extraordinária para as diferentes subcategorias de multimercados: long and short direcional com 5,17% de alta; trading em 4,11%; balanceados com 3,04%; long and short neutro com 2,10%; multimercados livre em 1,90%; dinâmico com 1,88%; macro em 1,72%; e juros e moedas com 1,15% de alta.

“O clima de otimismo com o Bolsonaro [presidente eleito] refletiu muito em ações e multimercados e todo mundo que embarcou na onda ganhou dinheiro”, contou a consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco.

Na ponta contrária, o pessimista que tinha se protegido esperando uma alta do dólar perdeu dinheiro. Os multimercados de investimento no exterior tiveram baixa de 0,70%, e os multimercados de capital protegido mostram perdas de 1,65%; e os fundos cambiais amargaram um prejuízo de 7,74% no mês passado, embora conservem uma valorização de 14,29% no ano de 2018.

Risco de volatilidade

Para novembro, Sandra Blanco acredita que ainda vai se ver um pouco de otimismo, mas que o movimento do investidor para o risco em ações e multimercados será mais gradual. “Vamos enfrentar volatiliade pela frente, mas nada que tire o otimismo dos próximos meses com o novo governo”, diz a consultora da Órama.

Ela avisa que o cenário internacional pode ter influência em algum momento. “Lá fora, o cenário está mais complicado”, destacou Sandra Blanco.

Leonardo Uram também aponta que a captação líquida dos fundos deve continuar positiva em novembro e dezembro. “As pessoas físicas (varejo) estão voltando para a bolsa, o fluxo vai continuar. O profissional (trader) ganhou muito e vem diminuindo a alocação de curto prazo, realizando um pouco [vendendo para obter lucros]”, observa o gestor.

Por outro lado, ele avisa que a possibilidade de uma votação de uma reforma da Previdência Social muito desidratada (sem emendas à Constituição) pode desagradar o mercado. “Não é suficiente passar uma reforma aguada, só uma mais profunda leva para o ciclo virtuoso. A reforma aguada não resolve o problema fiscal, daí o mercado vai reagir mal, o juro longo sobe taxa, o dólar sobe e a bolsa cai”, alerta Leonardo Uram, da Guide.