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Com a introdução das fintechs, a tendência é de que as empresas de meios de pagamentos se voltem a um nicho bem específico. Apesar do dinheiro em espécie ainda ser a preferência dos brasileiros, o mercado como um todo está cada vez mais digital.

Aproveitando a expansão do mercado e ao mesmo tempo a concentração do serviço entre um número pequeno de empresas, novas fintechs de meios de pagamento surgiram e deram início a uma tendência de segmentação.

“Essas startups nasceram para criar serviços financeiros mais ágeis, especializados em um segmento”, explica o CEO da JoyPay, Fernando Castro, ao DCI.

“Todas as novas tendências passam por um processo de aceitação. Primeiramente, tivemos a especificação entre débito e crédito, depois entre pequeno e médio empreendedores. O próximo passo são soluções específicas. Trabalhamos, por exemplo, com um produto que atenda o segmento de redes e franquias. Algumas empresas estão desenvolvendo soluções para despachantes”, diz.

“Uma vez que os serviços básicos já se tornaram essenciais, o próximo passo é entrar em segmentos específicos”, conclui.

Para o CEO da Vindi, Rodrigo Dantas, esse movimento fará com que os meios de pagamentos cheguem a setores que ainda não foram explorados. “Nós temos, hoje, uma abertura bem maior no mercado e a profissionalização por tipos, com as empresas se especializando em um perfil específico de negócio, e isso tem trazido bons resultados. Além de estar presente no e-commerce, temos empresas que atuam no varejo online e até no setor de serviços”, diz.

Miltonleise Filho, vice-presidente sênior de vendas da Mastercard Brasil – empresa que foi responsável por 46% do share total de transações com cartões em 2017 – concorda que a tendência tem conquistado espaço no País.

“O mercado é amplo e por um bom tempo ainda vão coexistir processos e modelos, e a segmentação é um deles. São formas diferentes de atender uma demanda que é muito grande”, comenta.

O executivo ainda destaca que as fintechs desempenham grande papel no setor. “O Banco Central vem trabalhando em alternativas para que possa haver uma inclusão financeira maior, não bancária, mas financeira, para trazer de forma mais amigável, com segurança, um contingente maior de clientes e pessoas que possam utilizar o meio eletrônico de pagamentos, contribuindo para a diminuição do uso do dinheiro. Fintechs são importantes nessa transformação.”

De acordo com a última pesquisa do Banco Central, 60% dos entrevistados responderam que o dinheiro é a forma de pagamento utilizada com maior frequência. Na pesquisa anterior, divulgada em 2013, esse índice era de 78%.

No começo deste mês, o BC também publicou as Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil, referentes ao ano de 2017. Nesse período, o mercado brasileiro de cartões cresceu 12,9% em volume de transações.

Novas modalidades

Outro destaque do levantamento foram as transações de cartão não presente (quando os consumidores não precisam apresentar fisicamente o plástico na hora de realizar uma compra, como na internet e em aplicativos), cuja representatividade praticamente dobrou entre dezembro de 2014 (9,4%) e dezembro de 2017, e, atualmente, representam mais de 18% do total de transações de crédito. Esse movimento é fortemente impulsionado pelo crescimento do e-commerce no Brasil.

Para Miltonleise Filho, a modalidade deverá ter uma importância cada vez maior no setor. “Não só pelo e-commerce mas também por serviços como Uber, Ifood e Spotify, que registram o cartão e trazem conveniência”, diz.

Segundo Rodrigo Dantas, essa tecnologia deverá beneficiar novos setores da economia. “A próxima tendência vem com o varejo, onde será possível pagar uma roupa como se paga um táxi. Ainda não temos muita inovação no Brasil, mas vemos que empresas de varejo online e fintechs estão crescendo”, comenta.

A continuidade de uso do boleto, por outro lado, gera divergências. Para o executivo da Mastercard, a modalidade pode ser comparada ao cheque. “O boleto é outra forma de pagamento que naturalmente vai diminuir, assim como o que vem acontecendo com o cheque. Eles envolvem a questão do papel, do custo, da segurança e da praticidade”, diz.

Já para Rodrigo Dantas, o boleto deverá se manter no mercado. “Não acredito que ele irá ter um movimento igual ao cheque, pois está muito enraizado na cultura do nosso País. Ele ainda precisa sofrer uma transformação, se tornar mais eficiente, mas novas empresas irão trazer evolução do boleto”, afirma.