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SÃO PAULO - A fintech israelense WorkCapital, que trabalha com antecipação de recebíveis, foi contemplada com aporte de U$ 8,5 milhões, investidos pelo fundos Monashees, FJ Lab e  Mindset Fatures,e também por investidores-anjo estrangeiros. Cada um desses agentes receberá participação da empresa.Com o montante, a startup tem o objetivo de triplicar suas operações no Brasil.



A fintech tem sua sede de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em Israel, onde o CEO e um dos fundadores, o brasileiro Simcha Neumark, foi morar em 2013 e teve a ideia de criar a plataforma. Mas a área de operação, no momento, é apenas no Brasil. Dos quatro sócios da startup, três são brasileiros e um americano.



Para Neumark, o intuito da startup é facilitar esse adiantamento de recebíveis para as pequenas e médias empresas (MPEs), que geralmente sofrem com altas taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras. O empreendedor preferiu não revelar a taxa de juros média, mas garantiu que essa alíquota é individualizada. A empresa já conta com aproximadamente 34 mil clientes na plataforma e tem como meta expandir o serviço para outros países.



Também no ramo de empréstimos para MPEs, a Rapidoo tenta inovar por meio de desconto de duplicatas em um processo totalmente online. A startup de São Paulo mira apenas companhias com faturamento de até R$ 150 mil ao mês e antecipa notas fiscais de até 90 dias. O processo de contratação leva, em média, uma hora.



O procedimento é bem simples. O cliente deve entrar no site e fazer um cadastro. Após isso, um painel de controle aparece, no qual é possível enviar as notas fiscais. Ao fim da operação, a empresa que está pedindo o adiantamento recebe um contrato por e-mail, o qual ela precisa assinar para finalizar a operação.



No entanto, existem alguns requisitos para realizar esse processo. Além do prazo mínimo para vencimento das duplicatas atingir até 90 dias, o valor total de todas as notas que serão descontadas não pode passar de R$ 40.000. Quanto ao funcionamento da antecipação, a Rapidoo dá 85% do dinheiro na hora, enquanto os 15% restantes são retidos até o pagamento do valor integral. A taxa do factoring é de 5% ao mês em cima do quanto fica guardado.



Constituída como empresa em junho de 2016, a startup começou com o interesse de quatro empreendedores no mercado de factoring e a percepção de que faltava um serviço online para esse tipo de operação financeira no País. "Esse conceito já existe nos EUA e Europa, mas no Brasil não existia ainda, sendo que o mercado daqui é muito mais prevalente", afirma o CEO da companhia, Caspar Gerleve.



O que a Rapidoo tem feito pode ser considerado como diferencial em dois pontos específicos: a ausência de cheques; e a facilitação do cadastro. Essa é a opinião do presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring (SINFAC-SP), Hamilton de Brito Júnior, que trabalha com esse tipo de operação financeira há mais de 5 anos.



"O fomento mercantil trabalha muito com cheque, que está desaparecendo", conta Brito Júnior. Só aceitar duplicatas eletrônicas é algo que diferencia a startup das outras instituições que realizam factoring. A maior inovação, porém, segundo o presidente da SINFAC-SP, fica na questão do registro. "A gente tem que fazer a visita, saber quem é o cliente, para depois fazer um cadastro", afirma. "Para eles, basta ter a duplicata digital", acrescenta.



 



Juros



Normalmente, as instituições mais procuradas pelas MPEs para contratar crédito são os bancos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e instituições de factoring. No caso do fomento mercantil, de acordo com a Associação Nacional de Fomento Comerial (Anfac), a média das taxas de juros para a operação média é de 4,4% ao mês.



Para o professor da Escola de Adminsitração de Empresas de São Paulo (EAESP) da área de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) César Caselani, o fomento comercial pode ser uma boa opção para adiantar recursos e conseguir mais capital de giro. "Pegando dinheiro de curto prazo, você pode pagar funcionários e fornecedores de matéria-prima", afirma. "Factoring serve fundamentalmente para pagar contas que estão vencendo no cotidiano", adiciona.



Apesar de reconhecer a praticidade das fintechs, startups de serviços, se informar sobre o que é a empresa, quanto tempo ela existe e quem são as instituições financeiras envolvidas é importante, segundo Caselani.



Ele explica que é preciso ficar atento antes de realizar operações bancárias, principalmente pela possibilidade de ser pego em um crime virtual, cuja tendência é aumentar muito nos próximos anos com a segmentação das operações financeiras.



 



Fundos



No caso da F(x), a antecipação de recebíveis para as empresas é realizada com contratos com fundos de investimentos. A fintech mantém ainda operações de crédito de longo prazo para MPEs.



Criada em março de 2017, a startup monetiza por meio de percentual sobre a operação. Segundo o fundador da empresa nascente, Dan Cohen, as MPEs solicitam os valores que desejam e a fintech é responsável por negociar com os fundos de investimentos a liberação do valor e a taxa de juros.