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A Koin, fintech de soluções de pagamento, cresceu 700% no último trimestre de 2017 em relação a igual período de 2016. Com foco no e-commerce, companhia aposta em possibilitar quitações parceladas, por meio de boletos, após o recebimento da compra.

Semelhante ao processo do cartão de crédito a ideia da startup financeira, de acordo com seu CEO, Gabriel Laconde Junqueira Franco, é atender a uma demanda bastante reprimida no comércio virtual, vindo principalmente de clientes desbancarizados.

“A solução vem para facilitar ainda mais a entrada do cliente para compras parceladas, com um valor que caiba no bolso”, explica o executivo e acrescenta que a própria procura dos consumidores pelo produto os coloca como “concorrentes do plástico”.

“Disputamos com o cartão de crédito, já que alcançamos desde clientes desbancarizados até o consumidor que tem o crédito pré-aprovado pelos bancos muito baixo”, complementa Franco.

A solução funciona da seguinte maneira: a partir do cadastro dos clientes da própria loja virtual, a Koin consulta birôs de crédito e faz uma análise com seus sistemas internos – que inclui ainda uma pesquisa nas redes sociais e no perfil de navegação – para tentar traçar o perfil do consumidor.

A partir disso a fintech aprova ou recusa a opção de pagamento ao cliente que, além de ter a possibilidade de fazer compras de valor maior no boleto, ainda poderá receber o produto em casa antes de pagar a primeira parcela.

Nesse sentido, o CEO da startup financeira pondera que o movimento ainda pode ser intensificado pela possibilidade de parcelamento.

Segundo o último levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), por exemplo, se não houvesse a possibilidade de parcelar as compras sem acréscimo de juros no valor, 78% dos entrevistados teriam feitos menos compras no mês.

“Estamos muito confiantes que o produto atende a necessidade de todos. O público alvo, por enquanto, são pessoas de 25 a 60 anos, que fazem compras on-line, mas nosso universo é maior do que isso e a expectativa é ampliar e aderir às lojas físicas”, diz Franco.

Perspectivas

Ao mesmo tempo, a importância da análise de risco se destaca, uma vez que a fintech se responsabiliza por todo o risco de fraude e crédito da transação a partir da aprovação do pagamento, incluindo também a cobrança caso necessário.

“Um dos desafios é fazer uma análise de crédito boa e ágil. Por isso, não só consultamos birôs externos e outras fontes de confirmação de dados, mas seguimos aprimorando nossos sistemas de score para tornar isso possível”, explica Franco, CEO da Koin.

A companhia, inclusive, já teve a necessidade de lidar com reajustes de seus sistemas, já que o forte crescimento desde sua criação foi somado à crise do País e trouxe, para a fintech, taxas de calotes maiores do que o esperado.

Segundo Franco, isso gerou alguns problemas de tecnologia e risco que desacelerou os processos da Koin ao longo de todo o ano de 2016.

“Passamos o ano sem prospectar novos clientes e focados em implementar o sistema novo no início de 2017. Isso não apenas trouxe o crescimento de 700% em dezembro, como também reduziu nossa inadimplência para algo em torno de 4% a 7%”, afirma.

Ainda acima da média total de calotes registrados pelo sistema financeiro – de 3,6% em novembro, segundo os últimos dados do Banco Central –, porém, a tendência é de “correção” desse índice.

“Foram várias frentes de investimento e conseguimos encontrar um ponto de equilíbrio entre volume de transações e inadimplência, para que a experiência do consumidor na loja virtual seja cada vez melhor”, reforça o executivo.

Da outra ponta, um dos objetivos da startup financeira é de trazer a solução também para as lojas físicas, situação que deve se tornar ainda mais viável com a criação do aplicativo nos próximos dois meses.

“Bastaria fazer um cadastro prévio no nosso aplicativo e, em três minutos, você já teria seu perfil analisado e um limite de crédito estabelecido. A partir daí, bastaria entrar na loja e comprar com Koin sem sequer tirar a carteira do bolso. É uma meta”, explica Franco.