Publicado em

A PAG! – fintech de conta digital e cartão de crédito – deve mirar ainda mais em clientes de classe alta. Projetando “desafios e instabilidades” em 2018, foco é incluir mais serviços de atendimento no produto para se sobressair entre os demais players do mercado.

Criada em setembro de 2016, a empresa cresceu mais de 1.400% em pouco mais de um ano, partindo de 7,8 mil clientes para um total de 120 mil contas aprovadas e cartões distribuídos e outros 800 mil pedidos em análise.

De acordo com o diretor financeiro da PAG!, Felipe Félix, mesmo com os “desafios e instabilidades” que o cenário político e macroeconômico do País podem trazer ao longo deste ano, a expectativa é positiva para a fintech.

“A instabilidade será muito grande em 2018 e vários desafios surgirão, mas a concorrência que os novos players estão trazendo auxilia o mercado a se sustentar e funcionar bem”, comenta.

O relatório de novembro do FintechLab, por exemplo, demonstrou um aumento de 36% no número de iniciativas desde o último levantamento, em fevereiro de 2017, de 244 para 332 fintechs.

O diretor financeiro da PAG! pondera, porém, que mesmo com o ambiente positivo para o surgimento desses negócios, a incerteza em relação ao futuro ainda atrapalha os avanços da companhia e que, por isso, algumas novidades estão no radar.

“A maior dificuldade é ter uma visão de longo prazo, mas o fato de termos um grupo financeiro nos apoiando dá uma segurança bastante forte. Somos uma fintech, mas não uma startup, e isso acaba fazendo diferença”, complementa Félix.

Parte do Grupo Avista – que atua no segmento financeiro há 20 anos – a PAG! já oferece pelo aplicativo o pagamento de contas, a transferência de recursos, depósitos, saques na rede Banco24Horas e recarga de celular, além do monitoramento do cartão de crédito.

“A PAG! faz tudo o que uma instituição financeira faz, mas com taxas bem menores e sem a cobrança de tarifas. O foco, agora é seguir uma linha de relacionamento e atendimento cada vez maior para atendermos as classes mais altas, como A, B e C, além de lançarmos a possibilidade de investimentos ainda em 2018”, diz o CEO da companhia, Victor Farias, ao DCI.

Em relação às taxas do rotativo cobradas pela PAG!, por exemplo, estão em 1,99% ao mês, enquanto a média do sistema financeiro para o rotativo regular (com o pagamento mínimo de 15% da fatura), segundo os últimos dados do Banco Central (BC), ficou em 10,1% ao mês em novembro de 2017.

A taxa média do rotativo por ano da fintech, por sua vez, fica entre 26,68%, mais de 190 pontos percentuais de diferença dos juros cobrados pelo sistema financeiro, de 218,3% a.a., registrados em novembro de acordo com o Banco Central.

“Essa taxa que vem caindo no mercado ainda não chegou nem perto do que cobramos, e com uma análise boa de crédito, conseguimos ofertar taxas mais justas que também sejam menos onerosas”, avalia Félix.

Farias acrescenta, também, que o objetivo da fintech é “fugir da cabeça burocrática” de um banco tradicional e “somar a pegada tecnológica” que as startups tem trazido ao sistema financeiro brasileiro.

“Conseguimos manter nossas operações sem depender ou sermos minados pelos grandes bancos. O crescimento vem de forma orgânica”, completa o CEO.

Além da PAG!, outras fintechs com propostas semelhantes também têm feito sucesso no mercado, como é o caso do Nubank, Banco Neon e Unobank, por exemplo.

“Diferente da maioria das fintechs, que tem uma cabeça bastante tecnológica, nós temos uma base e um conhecimento financeiro. Mas também somos diferentes do que vemos no Next [do Bradesco] e no Digio [do banco CBSS], que têm uma parte bancária bastante presente. Esse é o nosso diferencial”, completa Félix.

Perfil de usuários

Segundo os executivos, o perfil de clientes é bastante diversificado e atende, principalmente, a região de São Paulo.

“Por sermos mobile, nosso cliente é digital e faz tudo pelo celular. Quase 1/3 da nossa base de usuários é de São Paulo e cerca de 85% tem idade de 18 a 35 anos, enquanto apenas 15% tem idade superior a isso”, comenta Victor Faria.

Ao mesmo tempo, ele reforça que o tempo de nove meses logo após a criação da fintech também foi essencial para determinar o público.

“Passamos por nove meses de desenvolvimento de projetos e sistemas e o que antes tínhamos grande parte na classe social, mais focado em B, C e D, agora conseguimos concentrar mais a nossa base de clientes nas classes A, B e C”, disse.

Já em relação às expectativas para este ano, os executivos sinalizaram que as adversidades políticas – com a corrida eleitoral – e macroeconômicas – em relação à aprovação das reformas e da agenda econômica do governo como um todo – trazem desafios, mas a aposta é de aprimorar serviços para a “hora da melhora”.

“Claro que o Brasil já tem um déficit gigantesco e que o ambiente doméstico ainda influencia determinadas decisões do sistema financeiro, mas a convergência de serviços dentro do nosso produto é boa e tem potencial para crescer ainda mais”, conclui Félix.