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As cotas dos fundos de investimentos devem registrar menor volatilidade em junho, após o conturbado mês de maio. Das 44 subcategorias acessíveis ao público de varejo tradicional e de alta renda, 28 tiveram perdas no mês passado, e 16 mostraram ganhos.

Na avaliação da maior parte dos gestores consultados pelo DCI, salvo fatos muito adversos e imprevisíveis, dificilmente as carteiras de investimentos terão um retorno tão ruim em junho, quanto o ocorrido em maio.

“Para quem suporta riscos, esse é um momento de aproveitar oportunidades, sair do conforto [Tesouro Selic, DI e poupança] e buscar retornos melhores para o médio e o longo prazo”, diz a economista da Reag Investimentos, Simone Pasianotto.

Ao mesmo tempo, ela recomenda que o investidor de perfil muito conservador deve se manter em aplicações seguras. “O cotista deve respeitar o seu perfil”, afirma.

Em outras palavras, para o investidor que não suporta ver suas cotas oscilarem para o negativo, a recomendação é ficar em aplicações como fundos DI, fundos simples, Tesouro Selic, certificados de depósito bancário (CDBs) pós-fixados ou poupança.

O gestor da Infinity Asset, André Paes, lembrou que o mês passado registrou grande volatilidade. “Houve muita oscilação em renda fixa, dólar e bolsa de valores. Em junho, a volatilidade tende a ser menor, mas o cenário ainda é nebuloso e com imprevisibilidade”, apontou.

Paes argumenta que essa volatilidade também gera oportunidades para gestores e investidores. “Na bolsa, para quem compra na baixa, o dólar também está cedendo, e a curva de juros de médio e longo prazo precificam uma alta”, conta o profissional.

Outro gestor que está um pouco mais otimista para junho é Alexandre Amorim, da Par Mais. “O mercado já vinha se preparando para uma volatilidade pré-eleitoral principalmente com alocação no exterior porque o juro americano subiu muito. Quem estiver preparado tem bastante oportunidade [nesse momento], a bolsa brasileira ficou mais barata em dólar”, afirmou.

Na visão do gestor especialista da Levante Investimentos, Felipe Bevilacqua, muitos papéis (ações) de empresas que não tiveram qualquer relação com os reflexos da greve dos caminhoneiros sofreram perdas apenas pelo clima de pessimismo na bolsa de valores. “Quem tem caixa vai aproveitar uma recuperação [nos preços dessas ações]. No racional, a pessoa física se abala muito [com eventos como esse, da paralisação dos caminhões], o gestor, não”, diz Bevilacqua.

Em uma avaliação mais crítica, o diretor-geral da Garín Investimentos, Richard Wahba, alerta que o período eleitoral no Brasil vai trazer baixos ganhos. “Os multimercados vão encontrar dificuldades para entregar bons resultados. Na bolsa, o estrangeiro está ficando fora e deve esperar um cenário mais definido em setembro ou outubro”, avisou.

Wahba diz que a medida que eleição se aproxime e que as pesquisas e as declarações dos candidatos à presidência da República forem divulgadas, o mercado acionário apresentará volatilidade. “Depende também das declarações de políticas populistas versus o ajuste fiscal”, considera.

Tempestade perfeita

Segundo os consultados, em comparação com o episódio conhecido como “Joesley Day” – cujo escândalo divulgado em 17 de maio do ano passado – provocou um crash (-8,8%) na bolsa brasileira no dia seguinte (18/05/2017), maio de 2018 será lembrado por uma série de fatos negativos e ocorridos em sucessão: alta do preço do petróleo no mercado internacional; aumento global do dólar; crise cambial na Argentina; surpresa na manutenção dos juros pelo Comitê de Política Monetária; e por fim, a paralisação dos caminhoneiros.

“A greve – de 11 dias – pode custar uma queda de 1 ponto percentual do Produto Interno Bruto do País. O Brasil parou com vários impactos para a economia”, comentou Felipe Bevilacqua, da Levante.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) registram que até 29 de maio passado, as principais subcategorias de fundos de ações mostravam perdas entre 8,14% e 11,56%. Entre as mais representativas subcategorias de multimercados, as baixas oscilaram entre 0,64% e 2,08, embora fundos com investimentos no exterior mostrassem ganhos de 0,47% no mês, por causa, da alta do dólar. Já os fundos cambiais tiveram elevação de 7,03%.