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O Índice Bovespa avançou quase 2% no primeiro pregão de 2018, aos 77.891,04 pontos, atingindo uma pontuação recorde de fechamento e esticando o rali do ano passado em meio ao contínuo bom humor dos investidores.

Segundo operadores, a pausa dos trabalhos no Congresso tirou parte da pressão sobre os ativos, o que levou investidores às compras, de olho nos mercados internacionais. O Ibovespa avançou 1,95%, na sétima alta seguida. A máxima intraday, de 78.024 pontos, foi registrada no último dia 5 de outubro.

O giro financeiro do pregão somou R$ 7,987 bilhões. Após ter subido 26,8% no ano passado, o Ibovespa seguia refletindo perspectiva mais favorável para as ações brasileiras em 2018, em meio às articulações para aprovação de reformas, como a da Previdência.

Na agenda do dia, a divulgação da balança comercial brasileira pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e a pesquisa Focus pelo Banco Central (BC), estiveram no radar.

“De fato, existe um sentimento positivo para o ano, apesar das volatilidades que aparecerão nesse ano eleitoral”, escreveu o analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, em relatório. A possibilidade de rebaixamento do rating do Brasil pela agência de classificação de risco S&P no fim de 2017, que acabou não acontecendo, tirou um pouco da cautela que predominou nas últimas semanas de 2017.

Entre os destaques, Usiminas PNA subiu 5,49%, ocupando o topo da lista de maiores altas do Ibovespa, ao lado de Gerdau PN (+4,77%) e Metalúrgica Gerdau PN (+4,49%).

Vale ON ganhou 3,63%, alinhada à alta dos futuros do minério de ferro da China. Entre os papéis bancários, Banco do Brasil valorizou 3,49%, seguido por Itaú Unibanco PN (+ 3,1%), Bradesco (+2,22%) e Santander unit (+2,67%). Eletrobras PNB caiu 3,79% e ON cedeu 2,84%.

Entre as cinco ações que estrearam na carteira do Ibovespa, Iguatemi ON se sobressaiu, com alta de 1,95%, enquanto Fleury ON ganhou 0,3% e Sanepar unit avançou 0,79%.

Na contramão, Viavarejo unit cedeu 1,51% e Magazine Luiza ON recuou 1,15%.

Mercado Cambial

O dólar fechou o primeiro pregão do ano com a maior queda desde maio de 2017, em linha com o exterior e com investidores apostando que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região manterá a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso aprovará a reforma da Previdência.

A moeda norte-americana caiu 1,64%, aos R$ 3,2601 na venda, a maior queda desde 19 de maio, quando o mercado reagia aos desdobramentos da delação de executivos da JBS. O dólar futuro recuava 1,7%.

No âmbito doméstico, investidores avaliam informações sobre o fluxo do primeiro trimestre, com emissões e captações indicando notícias boas, afirmou José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos.

O mercado também aposta que a condenação do ex-presidente Lula será mantida e há a expectativa, ainda, de que a reforma da Previdência tende a ser aprovada pelos deputados ainda no primeiro trimestre. A votação da reforma previdenciária ficou marcada para o próximo dia 19 de fevereiro.

Outro fator pela depreciação da moeda, segundo operadores, foi a devolução de hedge feito por alguns investidores, ante a expectativa de que agências de risco poderiam reduzir a nota de crédito do país pelo adiamento da reforma da Previdência. /Reuters