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Com uma virada do negativo para o positivo na última hora de negociação da sexta-feira, e depois de ter caído até 1,86% ao longo do pregão, o Ibovespa fechou estável, aos 85.638,88 pontos (+0,02%).

O indicador ensaiou uma recuperação pela manhã da sexta-feira e chegou a subir 0,72%. No entanto, não teve fôlego para se sustentar em um dia de quedas generalizadas entre as bolsas internacionais. Lá fora, temores sobre os rumos da economia global incentivaram ordens de venda, enquanto no cenário doméstico o noticiário político foi escasso.

As ações relacionadas a commodities exerceram influência negativa ao longo de todo o dia. A queda dos preços do petróleo penalizou os papéis da Petrobras (-0,39% na ON) e a alta do minério de ferro não foi suficiente para conter os preços das mineradoras pelo mundo, que refletiram as incertezas quanto ao ritmo da economia chinesa. Em Londres, as ações das mineradoras BHP Billiton e Anglo América tiveram fortes perdas, o que levou Vale ON a terminar o dia com queda de 4,16%.

A queda só foi neutralizada nos minutos finais de negociação, com a melhora brusca do desempenho dos papéis do setor financeiro, bloco de maior peso no Ibovespa.

As ações já vinham oscilando com desempenho acima da média, mas ganharam fôlego extra com a notícia de que o presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, negou que venha a ocorrer modificação no marco legal econômico, financeiro e fiscal no país, descartando mudanças na operação dos bancos. Por aqui, Banco do Brasil ON subiu 2,22%, Itaú Unibanco PN ganhou 1,26% e as units do Santander avançaram 1,91%.

“Com a onda de realizações de lucro no mercado internacional, o Ibovespa acabou por perder um pouco a referência. Na falta de notícias mais concretas sobre a reforma da Previdência, acompanhou o que ocorreu lá fora”, disse Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos.

Para ele, a discussão em torno da política monetária dos Estados Unidos leva o investidor estrangeiro a amenizar suas posições de risco, mas a perspectiva de longo prazo é de alta para os mercados de países emergentes.

No caso específico do Brasil, afirma, a tendência é de retomada do viés de alta assim que o cenário doméstico apontar mais concretamente para boas perspectivas. Com o resultado da sexta, o índice contabilizou queda nominal de 3,14% na semana passada.

Valorização do dólar

A moeda norte-americana subiu pela segunda semana consecutiva, terminando a sexta-feira em R$ 3,7385. Na sessão da sexta-feira, o dólar caiu 0,25%, influenciada pela entrada de um fluxo do exterior, e acabou se descolando de seus pares emergentes.

A maioria das moedas destes mercados perdeu valor perante o dólar nesta sexta-feira. Apesar da queda desta sexta, os investidores seguem monitorando a transição de governo e uma das explicações da alta da moeda de 1,10% no acumulado da semana são os ruídos de comunicação entre Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe.

Especialistas em câmbio ressaltam que, na ausência de notícias concretas sobre nomes da equipe, como o da presidência do Banco Central, e da agenda de política econômica de Bolsonaro, ou alguma mudança no cenário externo, o dólar deve continuar oscilando no patamar entre R$ 3,70 até R$ 3,75. /Estadão Conteúdo