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O Índice Bovespa foi impulsionado pelo otimismo do investidor com o cenário eleitoral doméstico e oscilou em alta durante todo o pregão de ontem. A bolsa encerrou com ganho de 1,63%, aos 85.596,69 pontos. Os negócios somaram R$ 11,7 bilhões.

A percepção de consolidação da liderança de Jair Bolsonaro (PSL) na preferência do eleitor na eleição presidencial foi um dos principais fatores apresentados por analistas para justificar a alta das ações, mesmo em um dia de queda de bolsas em Nova York e na Europa.

A aposta em uma agenda liberal e reformista voltou a estimular a compra de papéis do chamado “kit eleições”, como Petrobras ON e PN, que subiram 2,70% e 2,35%.

O aceno da China com um pacote de estímulos para a economia e para as bolsas locais também foi fator importante. As bolsas chinesas fecharam o pregão com altas robustas. Tais promessas de incentivo econômico favoreceram as ações de empresas de mineração e siderurgia pelo mundo, incluindo a brasileira Vale, que subiu 3,25%.

Com o resultado desta segunda, o Ibovespa passa a contabilizar ganho de 7,88% em outubro. O que chama a atenção dos profissionais é que o rali tem sido sustentado principalmente por investidores institucionais locais.

“Houve um movimento de aversão ao risco no exterior e é natural que o capital externo saia do País, até para que os investidores possam cobrir perdas de outros mercados. Há também por parte do estrangeiro alguma cautela com o que virá em um possível governo de Jair Bolsonaro. Por outro lado, o investidor local tem mostrado satisfação com as declarações do candidato favoráveis a reformas”, disse Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos.

Para o economista, porém, os gestores de fundos estrangeiros estão atentos aos acontecimentos e podem voltar a qualquer momento, pois serão cobrados se perderem as oportunidades do mercado local.

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, fechou o primeiro pregão da semana que antecede o segundo turno em queda de 0,73%, a R$ 3,6879. Dos 15 pregões de outubro, a moeda americana recuou em 11, com os investidores animados com a possível vitória de Jair Bolsonaro (PSL).

Ontem, o noticiário doméstico foi fraco e também repercutiu positivamente nas mesas de operação o anúncio de medidas da China para estimular o consumo. Mas dúvidas sobre o que o Banco Central pode fazer no mercado de câmbio após as eleições têm provocado cautela no mercado.

A seis dias da eleição, e com as novas pesquisas e sondagens de instituições financeiras confirmando a vantagem de Bolsonaro, não há justificativa sólida para reverter as posições atuais, ressaltam operadores. Por isso, o real foi uma das poucas moedas de emergentes – junto com Argentina, África do Sul e Rússia - a ganhar valor ante o dólar.

Os juros futuros terminaram a sessão regular de ontem em queda. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019, que melhor reflete as apostas para a Selic até o fim do ano, caiu de 6,488% para 6,47% e a do DI para janeiro de 2020, de 7,554% para 7,44%.

O DI para janeiro de 2021 fechou em 8,34%, de 8,524% no ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2023 fechou em 9,41%, de 9,643%, e o DI para janeiro de 2025 foi de 10,162% para 9,94%. /Estadão Conteúdo