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Após três altas consecutivas, o Índice Bovespa cedeu a um movimento de realização de lucros moderado e terminou o dia em baixa de 0,75%, aos 85.220,23 pontos. Mesmo com o resultado o índice fechou a semana passada com um ganho acumulado de 2,53%.

Ao longo das últimas sessões, boa parte da alta acumulada veio de ações do setor de commodities, lideradas pelos papéis da Petrobras, que na terça-feira divulgou balanço trimestral com resultados considerados positivos.

Além disso, os preços do petróleo avançaram para os maiores valores em três anos e meio nos mercados futuros de Londres e Nova York.

Os papéis da petroleira também foram alvo das operações de realização de lucros, que levaram Petrobras PN a cair 1,20%, enquanto Petrobras ON avançou 0,38%.

No acumulado da semana, a ação ordinária da estatal disparou 21,18% e a preferencial ganhou 14,23%.

Na ponta contrária estiveram as ações do setor financeiro, bloco de maior peso na composição da carteira teórica do Ibovespa e, por isso, em boa medida responsáveis pelo viés negativo do Ibovespa no dia.

As explicações foram várias, levando em conta questões como um provável novo corte de juros e o próprio desinteresse de investidores estrangeiros diante do cenário econômico doméstico, que não deve apresentar novidades após a reunião do Copom. Itaú Unibanco PN fechou em baixa de 0,84%.

Natura ON, por exemplo, subiu 15,56% e liderou as altas da bolsa. Na ponta contrária esteve Kroton ON, maior queda da carteira teórica (-15,21%).

Mercado cambial

O alívio no câmbio durou pouco e o dólar voltou a subir na última sexta-feira, em uma sessão de alta volatilidade. A moeda fechou com um avanço de 1,43%, aos R$ 3,6002, novo patamar e a maior cotação desde maio de 2016.

A mínima foi de R$ 3,5448 (-0,12%) e a máxima de R$ 3,6121 (+1,77). O giro dos negócios à vista alcançou um total de US$ 820 milhões.

Operadores ainda esperam que o dólar encontre um novo patamar, na casa dos R$ 3,50 ou R$ 3,60, para que a volatilidade possa ser reduzida.

Na semana, o dólar à vista acumulou alta de 2,14%. A moeda para junho subia 1,45%, a R$ 3,6090, movimentando US$ 18 bilhões.

Pela manhã houve bastante especulação no mercado com a pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais da CNT/MDA, que deverá ser divulgada ainda hoje.

A conversa era de que, após a desistência de Joaquim Barbosa, todos os votos que seriam para ele migrariam para Ciro Gomes, pré-candidato totalmente desalinhado com o que pensa o mercado.

O mercado voltou a falar em maior busca por hedge e também nas dúvidas sobre até onde vai o dólar ante o real que deixa o Banco Central “confortável” com a valorização e seus impactos na inflação.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, afirmou que as notícias negativas sobre a Argentina podem fazer com que investidores estrangeiros retirem recursos alocados em emergentes.

“Isso nos afeta de forma indireta. Não é que o sujeito vai tirar dinheiro no Brasil porque a Argentina está com problemas. Todas classes de ativos de emergentes sofrem quando você tem esse tipo de noticiário”, disse o economista do Itaú.

A pressão sobre o peso, o real e outras moedas de emergentes deve continuar pela frente. /Estadão Conteúdo