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Os efeitos negativos com a total implementação do IFRS9 serão limitados nos grandes bancos do País, mas podem exigir provisões adicionais das instituições de pequeno e médio portes voltadas para crédito e que sofreram com altos níveis de impairment na crise.

As informações são de um relatório que será divulgado hoje pela agência de classificação de risco Fitch Ratings.

As regras trazem mudanças fundamentais na contabilização dos instrumentos financeiros e terá um impacto especificamente relevante sobre como os bancos contabilizam as suas perdas por redução no valor recuperável.

Segundo a agência de classificação de riscos, o provisionamento e o nível de reserva adequados excluem as expectativas de que a regulação possa interferir no rating dos principais bancos.

O relatório da Fitch aponta ainda que as perspectivas são de que o País consiga implementar as normas do IFRS9 completamente até 2020 e que, a julgar pelas recentes divulgações de reguladores sobre o assunto, a Fitch também “não espera que os cinco maiores bancos do Brasil (Banco do Brasil, Itaú, Caixa, Bradesco e BNDES) – que contam com 70% dos ativos do sistema financeiro nacional até março de 2018 – terão reduções de capital significantes oriundas de perdas com provisões ou mudanças de reserva”.

“As provisões feitas pelos grandes bancos privados já estavam bem acima do mínimo requerido. Já em relação aos bancos públicos, o BNDES permanece capitalizado acima da média dos pares e os níveis de inadimplência são baixos[...] Caixa e Banco do Brasil adotaram medidas adicionais para aumentar os índices de capital e agora estão compatíveis com a regulação de capital exigida”, disse a Fitch, no relatório.

Pequenos e médios

Já em relação aos bancos pequenos e médios, por outro lado, a agência afirma que “os efeitos podem variar”.

“Algumas provisões adicionais obrigatórias podem ser exigidas de algumas instituições desses portes, principalmente daquelas cujo portfólio mais concentrado em empréstimos mostrou altos níveis de impairment durante a crise”.

A Fitch Ratings complementa ainda que as notas de risco dos grandes bancos públicos e privados do Brasil “provavelmente se manterão em linha com o rating soberano”.