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No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,67%, cotado a R$ 3,3630 na última sexta-feira, maior cotação desde 18 de maio do ano passado. O viés altista foi verificado desde a abertura dos negócios e, na máxima, a cotação chegou aos R$ 3,3795 (+1,17%).

A aversão ao risco no mercado internacional e a postura cautelosa do investidor com o cenário doméstico levaram o dólar ao seu maior valor ante o real em quase dez meses na sexta-feira.

Lá fora, o temor dos efeitos de uma guerra comercial que se desenha entre Estados Unidos e China derrubou as bolsas de Nova York e fortaleceu a moeda norte-americana ante divisas de países emergentes e exportadores de commodities. Internamente, continuaram vivas as incertezas quanto à elegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve a prisão decretada na última quinta-feira (5/4).

A sessão de negócios da sexta-feira foi movimentada nos mercados à vista e futuro, com volumes superiores à média dos últimos dias. No mercado à vista, foram movimentados US$ 2,5 bilhões. No mercado futuro, o dólar para liquidação em maio movimentou mais de US$ 24 bilhões.

O maior impacto da notícia do mandado de prisão de Lula foi sentido pela manhã da sexta-feira, em meio à diversidade de notícias e especulações acerca da apresentação do ex-presidente e das tentativas jurídicas de evitar a prisão.

Analistas apontaram desconforto de investidores diante de uma percepção de insegurança jurídica, devido a questões como o racha no Supremo Tribunal Federal (STF). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas corpus da defesa de Lula que buscava adiar a prisão.

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a alta do dia foi um misto de fatores externos e internos que incentivaram a aversão ao risco. No que diz respeito ao cenário político, ele atribui a uma "insegurança política e jurídica" a postura cautelosa do investidor, que buscou proteção no dólar.

"Diante dessa incerteza, o investidor opta por ficar comprado, pois a possibilidade de erro é pequena. E não podemos esquecer que o País continua a enfrentar os mesmos obstáculos de 2017 e ainda temos o risco de uma terceira denúncia contra o presidente Michel Temer. Tudo disso deixa o investidor estrangeiro em uma espécie limbo", afirmou.

Outros analistas, no entanto, atribuíram o movimento interno do dólar hoje quase que exclusivamente ao cenário internacional, que teve um dia de forte volatilidade, com o noticiário americano no foco das atenções. "O ambiente externo foi de alta volatilidade, o que induz o dólar a ganhar valor, com investidores enxugando posições em ativos de risco. Nosso mercado é pequeno e não tem forças para contrariar essa tendência de realinhamento", disse Cléber Alessie Machado Neto, operador da Hcommcor corretora.

Ajuste no Ibovespa

O índice à vista fechou em queda de 0,46%, aos 84.820,42 pontos. O giro financeiro foi de R$ 9,66 bilhões. Na semana, o Ibovespa recuou 0,64%. Além das incertezas externas, o caso Lula traz indefinições sobre o quadro eleitoral. Internamente, as quedas em torno de 9% das ações da Eletrobras contribuíram para a baixa local. Por outro lado, a oficialização de Eduardo Guardia para substituir Meirelles na Fazenda dá continuidade à política econômica. /Estadão Conteúdo