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A portabilidade da conta-salário, regulamentação que passou a permitir transferência automática e sem custos do dinheiro para contas de pagamento digitais e pré-pagas não operadas por bancos, foi só mais uma conquista das fintechs. No entanto, essa é apenas a ponta de um iceberg que começou a ser formado algumas décadas atrás, inicialmente por cartões private label e pré-pagos.

Essas modalidades do dinheiro de plástico surgiram com o intuito de atender uma população de baixa renda e não-bancarizada para a concessão de crédito, especialmente para movimentar a economia no varejo. E é o legado dessas iniciativas que pavimentou o caminho de fintechs como Nubank e Neon, que aproveitaram a evolução e a convergência da demanda desse mesmo público, com as novas regulamentações promovidas pelo Banco Central. Além, é claro, a evolução da tecnologia digital, tanto pela facilidade no desenvolvimento, quanto pelo aumento no número de adeptos, principalmente na camada mais jovem.

No âmbito de pessoas jurídicas, as fintechs também se movimentaram para uma seara em que, até então, apenas os bancos transitavam. O crescimento de pequenos empreendedores criou um filão para mais de 300 subadquirentes não só no fornecimento de maquininhas sem aluguel e com preços mais acessíveis, mas com contas de pagamento e a concessão de dinheiro, agregando valor na oferta de novos produtos e serviços em um verdadeiro ecossistema bancário alternativo.

O que todas essas empresas têm em comum é um atributo essencial nos dias de hoje: o foco na experiência do cliente, por meio da desburocratização de processos, e do atendimento mais personalizado. E, como consequência dos efeitos dessa nova realidade, novas parcerias baseadas na cooperação e complementariedade têm surgido dia a dia. São bancos, corretoras, seguradoras, financeiras e fintechs se unindo na busca pela melhor posição nesse renovado ecossistema.

É nesse cenário integrado que a tecnologia tem ganhado ainda mais relevância com a criação de novas tendências. É o caso do open banking, que provê a abertura de uma série de APIs relacionadas ao core de cada player para fornecer informações dos processos e dos clientes. Isso permite melhorar a experiência no uso e na aquisição de serviços. Somente desta forma será possível criar uma experiência excepcional, no qual todos os serviços estarão à disposição do cliente de maneira quase que “onipresente”.

Todo esse potencial de transformação em um ecossistema que demanda segurança, rentabilidade e experiências excepcionais requer muita musculatura e gestão no que tange à concepção, ao desenvolvimento e à operação dessas aplicações e serviços. E dada a importância desses fatores, a experiência de parceiros estratégicos que tenham vivenciado na prática a evolução desse mercado pode ser um fator primordial para o sucesso dessas operações.

Marcelo Oliveira é Chief Product Officer do Verity Group

verity@nbpress.com