Publicado em

O Itaú projeta maior participação do mercado de capitais no funding para grandes empresas. Na contramão dos demais grandes bancos privados, a instituição teve queda de 7,4% no segmento corporate em relação ao mesmo trimestre de 2017.

O montante cedido em empréstimos para as grandes corporações pelo Itaú totalizou R$ 162,5 bilhões de abril a junho. No ano passado, o valor era de R$ 175,4 bilhões.

Na parte de originação de crédito às companhias de maior porte, porém, o avanço foi de 8% na mesma base de comparação, de 75 pontos para 81 pontos. Em relação à emissão de títulos privados, no entanto, o avanço chegou a 30% no período avaliado, de 124 para 162 pontos.

“Temos buscado servir os nossos clientes através do mercado de capitais, já que é um segmento que possibilita que as grandes empresas tenham condições adicionais de funding, sem depender somente do crédito bancário”, explica o vice-presidente executivo do Itaú Unibanco, Caio Ibrahim David.

Ele afirma, porém, que o objetivo está mais relacionado a uma “combinação das duas coisas”. “O mercado de capitais tem ajudado a trazer níveis de alavancagem menores e a composição acaba sendo bastante importante. Mas temos conseguido servir nossos clientes tanto com crédito e nosso banco de investimentos”, acrescenta Ibrahim.

Entre os destaques, porém, o executivo reforça as expectativas nas carteiras de pessoas físicas e de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

No segundo trimestre, por exemplo, o total de empréstimos do maior banco privado do País somou R$ 623,3 bilhões, um avanço de 6,1% frente aos meses de abril a junho de 2017 (R$ 587,3 bilhões).

Especificamente no crédito ao varejo, o Itaú registrou um aumento de 8,7% na mesma base de comparação (de R$ 179,4 bilhões para R$ 195 bilhões), enquanto para as MPMEs, o total de financiamentos somou R$ 65,6 bilhões – alta de 9,8% na mesma relação com o segundo trimestre do ano passado (R$ 59,8 bilhões).

Segundo Ibrahim, o ambiente macroeconômico melhor e de retomada gradual devem corroborar para a continuidade do crescimento dessas modalidades.

“O endividamento das famílias tem reduzido, os juros e a inflação permanecem controlados e, com isso, começamos a ter um ciclo virtuoso permeando toda a nossa operação. Além disso, as novas safras de concessão têm se mostrado ainda melhor do que as safras anteriores, o que nos dá confiança de que continuaremos a crescer”, completa o executivo.

O custo de crédito do banco privado reduziu 19,5% de abril a junho deste ano frente a igual período de 2017, de R$ 4,474 bilhões para R$ 3,601 bilhões. Nele, o resultado de crédito de liquidação duvidosa registrou queda de 19,2% na mesma relação, de R$ 4,115 bilhões para R$ 3,326 bilhões.

As despesas de provisão caíram 13,7% na mesma relação, de R$ 4,498 bilhões para R$ 4,271 bilhões e a recuperação de recursos baixados a prejuízo subiu 13,4%, de R$ 834 milhões para R$ 945 milhões.

O lucro líquido recorrente do Itaú atingiu os R$ 6,382 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 3,45% em relação ao mesmo período de 2017 (R$ 6,169 bilhões).

Adquirência

Além da nova plataforma de seguros – onde o banco passa a oferecer produtos de outras seguradoras dentro da própria plataforma –, o presidente do Itaú, Candido Bracher, destacou a Pop Credicard.

A nova adquirente entra no páreo para concorrer com players como a PagSeguro, por exemplo, que cresceram rápida e significativamente com a isenção de mensalidade e taxas menores aos lojistas.

“É uma estratégia digital mais simples e com taxas competitivas para transações de crédito e débito. Queremos alcançar profissionais autônomos, microempreendedores individuais e microempresas e a Pop Credicard vem para completar a estratégia”, diz o presidente do Itaú Unibanco.

“Na primeira semana percebemos que o produto tem conseguido superar um pouco a expectativa inicial e, apesar de ainda ser cedo, estamos bastante confiantes. A expectativa é que tenhamos 120 mil clientes com o produto próprio até o final deste ano”, conclui o vice-presidente, Caio Ibrahim.