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SÃO PAULO - Um pesquisa realizada pela empresa Corporate Travel Solutions - CTS, especializada em gestão financeira de viagens e eventos corporativos, apontou que grandes empresas tem um prejuízo de 15% neste setor. Cobranças irregulares, reembolsos não realizados e acordos comerciais não cumpridos seriam os principais motivos revelados. As revisões técnicas realizadas demonstraram que este percentual pode ser atribuído à má gestão ou gestão fraudulenta.



O diretor da CTS, Marcos Costa, admite que nos últimos cinco anos, houve um aumento tímido na busca pelos serviços oferecidos. Segundo Costa, os gestores destas empresas sabem, na maioria das vezes, que há falhas e desvios e até contam com eles por considerarem a dificuldade de se fazer o controle destas despesas. Segundo o empresário, a maioria das empresas banaliza o tema e busca por profissionais dentro da própria companhia para cuidar do departamento ou passa a responsabilidade para o departamento de compras. “Nossa maior dificuldade é lidar com os responsáveis pelo travelling, que encaram nosso trabalho como se fossemos apontar falhas de sua gestão. No entanto, se temos acesso direto ao gestor de finanças, isso deixa de existir.”



A empresa é capaz de fazer uma revisão dos últimos cinco anos de gastos buscando a recuperação de perdas. No entanto Costa admite que em grande parte dos casos, é possível reaver benefícios e reembolsos perdidos apenas nos últimos 12 meses. “Infelizmente, a legislação e a burocracia dificulta a cobrança em períodos maiores. Mesmo assim, este trabalho inicial mostra para o cliente qual o prejuízo real da empresa”, afirma.



Prejuízos diversos



Segundo o levantamento, uma companhia que lida com mil transações mensais, perde um valor considerável se contabilizar cobranças duplicadas, taxas indevidas, multas, juros e bilhetes de avião pagos não utilizados. Outro ponto crítico, segundo Costa, são os reembolsos, que muitas vezes não são realizados da forma correta. “Não existe, por exemplo, bilhete de companhia aérea não reembolsável, mesmo que tenha sido comprado em uma promoção e não utilizado. Por falta de conhecimento e controle do processo, que é lento e burocrático, as empresas perdem muito dinheiro neste item”, alerta.



Há ainda, companhias que contratam agências de viagens pelo sistema de fee mensal, em que todo custo direto, indireto e o lucro do fornecedor estão embutidos no valor final. Entretanto, se houver qualquer benefício ou comissão paga por um fornecedor à agência, a mesma deve repassá-lo ao cliente. “Infelizmente, isso não acontece no Brasil. O que vemos é que estes valores acabam sendo retidos pelas agências e os contratantes acabam tendo prejuízos”, revela.               



A pesquisa aponta ainda que perde dinheiro também com acordos não aplicados. “Temos um caso em que determinada companhia aérea havia negociado com um dos nossos clientes um desconto de 12% sobre o valor da tarifa publicada. Quando realizamos a revisão, descobrimos que o desconto que estava sendo aplicado era de apenas 3%. Conseguimos reverter a situação no primeiro mês de validade do acordo, mas já houve casos em que clientes perderam mais de 80% dos benefícios do acordo em um ano por falta de gente especializada em analisar essa informação”, exemplifica Costa.



Segundo balanço da empresa, até dezembro de 2012 os projetos de revisão técnica resultaram em mais de R$ 31,2 milhões em economia e recuperação de valores para os seus clientes em um total de R$ 204 milhões revisados.