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SÃO PAULO - Estabelecida no Brasil há apenas um ano, a corretora Mirae Asset Securities já conquistou 7 mil clientes com uma das menores taxas de corretagem do mercado, e está atraindo investidores coreanos à economia brasileira.



"Somos procurados por investidores da Coreia do Sul com interesse crescente em investir na economia real do Brasil, e identificamos os ativos para negócios", contou a chefe da divisão de Gestão de Fortunas da Mirae Asset Securities, Luciana Pazos, em entrevista exclusiva ao DCI.



A executiva detalhou que a demanda coreana nos últimos 12 meses já gerou 5 negócios que envolvem compra de participações na área de fusões e aquisições. "As operações foram em setores diversificados: alimentos, construção civil, combustível, turismo e hotelaria, e indústria pesada de óleo e gás", informou Pazos.



É uma tendência nova e com forte potencial. A Mirae é a maior corretora da Coreia do Sul com US$ 75 bilhões sob gestão. "Um a cada três investidores da Coreia atuam com a Mirae, e todas as grandes empresas coreanas são nossos clientes", diz Pazos.



Para ganhar uma fatia no mercado brasileiro, a corretora trabalha com uma política de preços competitiva em relação aos demais agentes. A taxa de corretagem é de R$ 2,90 por operação e a taxa de custódia apenas replica o custo mensal pago à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) que está em R$ 6,90.



Sobre as perspectivas da Bolsa para os próximos meses, a corretora vê um cenário de crescimento modesto. "O mercado financeiro está muito sensível. O mundo vai crescer menos. A desaceleração na China deve afetar a exposição em commodities."



Luciana alerta para a necessidade de paciência com o ritmo do mercado acionário. "Sobe com uma notícia boa, e recua no outro dia com uma notícia ruim. O investidor precisará ser muito tolerante com o risco no curto prazo."



Na prática, ela quer dizer que o investimento em papéis ligados a commodities como petróleo e mineração deve ser considerado apenas para o longo prazo. "Os gestores estão preferindo papéis ligados ao setor de consumo, segmento que o governo federal tenta estimular", compara.



Questionada pelo DCI se as ações do setor de consumo já teriam subido muito em 2012, a executiva foi clara sobre os riscos de curto prazo. "O que está caro pode ficar mais caro, e que o que está barato pode ficar mais barato. O investidor deve diversificar", aconselhou Luciana Pazos.



Leandro Ruschel, diretor da Leandro & Stormer, também vê um ciclo de acomodação da Bolsa até setembro ou outubro, quando os efeitos das medidas de estímulo devem começar a fazer efeito na economia real. "No curto prazo, não vale a pena investir em Petrobras e Vale. Estamos nos afastando de papéis baratos, há uma chance maior de perspectiva negativa", alerta Ruschel.



Na visão do diretor, o potencial segue nos setores ligados a economia doméstica. Entre as recomendações de Ruschel estão os papéis da BR Malls e da Iguatemi, no segmento de shopping centers; Ambev, do setor de bebidas; e Marcopolo e Localiza, relacionados ao dinamismo dos transportes, público e de turismo para passeios e negócios.



"O investidor, mesmo de médio prazo, precisa sempre reavaliar a carteira e analisar como evolui. Papéis baratos podem ficar baratos por muito tempo", concluiu Ruschel.



Recomendações



Em relatório, Carlos Nunes, o estrategista-chefe de Renda Variável do HSBC manteve a Petrobras fora da carteira recomendada, e o setor de petróleo foi representado pela OGX. Na carteira do banco para o mês de abril estão os papéis: Pão de Açúcar PN, Ondontoprev ON, Multiplan ON, Lojas Renner ON, BM&FBovespa ON, Brasil Foods ON e Vale ON.



"Mantermos nossa visão favorável às histórias cíclicas domésticas, e por fim, a pressão do governo sobre instituições financeiras públicas para forçar a queda dos spreads poderá prejudicar o resultado do setor bancário no curto prazo", diz Carlos Nunes.



No mapa de recomendações de Lika Takahashi, da Fator Corretora, o potencial é moderado para o horizonte de dezembro de 2012, entre os papéis estão: Petrobras PN, Localiza ON, Ambev PN, Brasil Foods ON, Vale PNA, Itaú Unibanco PN, Telefonica Brasil, Tim Participações ON, Copel PNB e ALL Logística ON.



Já a Socopa Corretora segue a temática de incertezas no mercado internacional e recomenda como oportunidades: Petrobras PN, Vale PNA, Itaú Unibanco PN e MPX ON. "Esse sentimento de maior aversão a risco pode ser traduzido pela saída de capital estrangeiro que tivermos em março", diz Marcelo Varejão.