Publicado em

São Paulo - O número de investidores posicionados em Exchange Traded Funds (ETFs) - como são chamados os fundos de ações listados em bolsa de valores - cresceu 23,5% nos últimos 12 meses até setembro, para 30.374 cotistas.

Entre os diferentes tipos de participantes nesse segmento, o número de pessoas físicas disparou 67% em igual comparação, de 1.448 cotistas em setembro do ano passado para 2.415 em setembro de 2017. Em termos percentuais, a participação da pessoa física em ETFs aumentou de 5,89% para 7,95%.

"O ETF é uma porta de entrada para a renda variável [ações]. É muito custoso montar uma carteira logo de início, o ETF é utilizado para diversificação enquanto o investidor adquire [gradualmente] outros ativos", afirma o gerente de home broker da Socopa, Fabricio Tota. Ele lembrou que a aplicação no ETF BOVA - que acompanha a variação do Ibovespa - é mais comum, não só por pessoas físicas, mas também por investidores institucionais (fundos de investimentos).

"Quem entra em BOVA fica casado com índice [o Ibovespa] para o bem [quando sobe] ou para o mal [quando cai], mas é um ETF de muita liquidez, que pode ser útil para diferentes estratégias. Um fundo pode ficar comprado em BOVA e vendido em outro ativo, e vice-versa", disse o gerente.

A participação percentual de investidores institucionais em ETFs evoluiu para 56,35% em setembro de 2017, ante 41,90% em igual mês de 2016. Essa movimentação explica o crescimento de 19,6% no giro financeiro do BOVA, de R$ 3,82 bilhões em setembro de 2016 para o montante de R$ 4,57 bilhões no mês passado.

Entre as curiosidades, enquanto os investidores estrangeiros entraram com R$ 14,8 bilhões líquidos diretamente em ações na bolsa brasileira neste ano, o número de estrangeiros em ETFs no Brasil recuou de 3,8 mil cotistas para 3,3 mil cotistas. A participação desse público internacional caiu de 15,45% para 10,87%.

"O ETF é tão arriscado quanto investir em ações na bolsa. Mas temos um cenário de melhora nos dados econômicos, e apesar das incertezas políticas, o Ibovespa ainda tem espaço para subir", afirmou.

Alternativas ao BOVA

Nem só de BOVA vive o segmento de ETFs, também existem outras carteiras procuradas por pessoas físicas. "A liquidez existe, só é reduzida em relação ao BOVA", respondeu o gerente da Socopa.

Tota contou que os fundos de dividendos (DIVO) e de small caps (SMAL) estão sendo demandados. "O SMAL tem maior volatilidade e maior risco, e subiu quase 50% nesse ano", avisa o profissional.

Como estratégia de diversificação ao risco Brasil, Tota mencionou as carteiras indexadas ao S&P 500 como IVVB e SPXI. "O dólar responde mais pelo retorno que o próprio índice da S&P", observou.