Publicado em

O segmento de meios de pagamentos enfrentará dificuldades em adaptar o mercado brasileiro às inovações do setor. Apesar da expectativa de que o enfoque do Banco Central não se modifique no novo governo, tendência é de que 2019 seja “um ano de espera”.

Segundo o CEO da Conductor, Antonio Soares, o volume de oportunidades para o setor de pagamentos no País tem sido cada vez maior.

“O mercado vem sofrendo uma transformação constante, seja pela chegada de inovações ou da concorrência. E isso deixa cada vez mais claro a necessidade do ganho de eficiência operacional”, avaliou Soares no “The After Pay”, evento promovido ontem pela Conductor.

A adaptação do mercado e dos consumidores e aprimoramento das regulações com a vinda das fintechs, no entanto, ainda são obstáculos.

“Não é por ser novo que um processo é bom e que todos vão automaticamente mudar para ele”, comenta o presidente da Boanerges&Cia, Boanerges Ramos Freire.

“Além disso, uma coisa é ter a tecnologia disponível. Outra é que ela seja viável e que tenha um nível de custo que a permita ser usada amplamente. Isso é um desafio”, afirma.

Assim, mesmo que os últimos dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontem alta de 4,1% no total de transações com cartões em junho contra igual mês de 2017 (de 1.086 bilhão para 1.131 bilhão); e que o BC já tenha uma direção para a regulação do setor, os especialistas ponderam que 2019 ainda será um momento de “espera”.

“Quando há maior confiança, há mais investimentos, mas tudo tem seu tempo”, ressalta o sócio e consultor da GoOn, Eduardo Tambellini.

“A entrada de fintechs é positiva, mas é preciso cuidado. Creio que teremos um ano de verdades e de avaliar o que perdura. É um período de observação”, acrescenta.

Já para o estrategista-chefe da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco, a ideia é de que o novo governo a iniciar em 2019, timbrado por Jair Bolsonaro, siga com a agenda micro paralelamente às decisões macroeconômicas.

“Haverá dificuldades. Fomentar as fintechs é o mesmo que abrir da economia e sempre tem alguém que pode ser contra. O processo não é simples, com certeza. Mas são vias paralelas e que têm tudo para evoluir”, complementa.