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Com o mercado mais confiante na vitória de um candidato alinhado a uma agenda reformista, o Ibovespa fechou aos 81.612,28 pontos, com alta de 3,80% ontem. Foi a maior pontuação desde 22 de maio de 2018 e maior variação desde 7 de novembro de 2016.

Os negócios somaram R$ 16,6 bilhões, bem acima da média das últimas semanas, de R$ 9,6 bilhões. Das 65 ações da carteira do Ibovespa, apenas 3 fecharam em queda, todas elas de empresas exportadoras, negativamente impactadas pela queda do dólar ante o real. Na ponta oposta estiveram os papéis de empresas estatais, principais termômetros da percepção de risco político no mercado de ações.

O inesperado aumento de 4 pontos percentuais nas intenções de voto do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) captado pela pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo foi o principal assunto do pregão e se sobrepôs ante todos os outros fatores em segundo plano. "É bastante claro que houve um pouco de 'overshooting' no mercado. Mas a virada mais forte de humor ocorreu principalmente porque o resultado da pesquisa foi surpreendente, uma vez que Bolsonaro não vinha bem nas pesquisas e sofria ataques de diversos lados", diz Victor Cândido, economista da Guide Investimentos. "A alta das estatais está diretamente relacionada ao fato de que Bolsonaro tem se comprometido a manter a agenda de privatizações, além de outros fatores importantes, como a reforma da Previdência", diz Cândido.

A melhora da confiança foi reforçada por outras notícias da cena eleitoral que beneficiaram Bolsonaro, como o apoio da bancada ruralista e a proibição de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dar entrevistas à imprensa.

Na análise por ações, as maiores altas do Ibovespa ficaram com Eletrobras ON (+11,45%) e Banco do Brasil ON (+11,41%). Petrobras ON e PN avançaram 6,74% e 8,67%, respectivamente. No setor financeiro, outro termômetro da percepção de risco, também se destacaram as unis do Santander (+7,44%) e Bradesco ON (+6,93%). Vale ON, ação de maior peso individual do Ibovespa, avançou 1,32%.

Dólar em baixa

O dólar caiu 2,47% e fechou ontem, em R$ 3,9304. Foi o nível mais baixo desde 17 de agosto (R$ 3,9142) e a maior queda diária desde 8 de junho último, quando caiu 5,35% após o Banco Central e o Tesouro Nacional anunciarem ação conjunta para conter a disparada do câmbio.

O real foi a segunda moeda que mais ganhou valor ontem ante o dólar, atrás apenas do peso argentino, contrariando divisas de emergentes, que perderam terreno ante o dólar.

Operadores ressaltam que foram investidores estrangeiros que mais venderam dólares no mercado nesta terça-feira, sobretudo para aplicar recursos na bolsa. Com isso, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, superou os 81 mil pontos e ao longo do pregão chegou a subir 4%. Na mínima, o dólar bateu em R$ 3,9059 e, na máxima, logo na abertura, chegou a R$ 3,9980.

No exterior, o risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), derivativo de crédito que protege o investidor contra calotes na dívida soberana, caiu 5%, para 252,12, o menor desde 20 de agosto, quando bateu em 246 pontos.

No exterior, preocupações com a Itália, após elevar sua meta de déficit no orçamento, seguem aumentando a aversão ao risco na Europa, com reflexo no euro. /Estadão Conteúdo