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SÃO PAULO - Apesar de ainda não ter captado todos os recursos previstos para seu fundo de investimento em ativos alternativos lançado na semana passada, a Porto Capital, braço da seguradora Porto Seguro, já tem planos para os aportes a serem realizados. A proposta é utilizar os próximos cinco anos - do prazo total de dez - para apostar em cerca de 15 empresas, e deixar o período restante para o crescimento e a saída desses investimentos.



Depois de anunciar o lançamento da Porto Capital com um fundo de R$ 400 milhões, um dos diretores da gestora, Frederico Mesnik, detalhou ao DCI a motivação para os aportes e os tipos de empresas que estão no alvo.



Mesnik contou que a idealização do primeiro fundo, chamado Porto Growth Edge I, se deu no ano passado. Por se tratar de uma área de negócios distinta do seu ramo de negócios original, a Porto Seguro procurou no mercado um time de gestores externos para ajudar a desenvolver essa nova maneira de diversificar sua receita. Foi aí que entraram os dois diretores da Porto Capital: Anibal Messa e o próprio Mesnik.



Messa atua há 15 anos nas áreas de private equity (participação no capital de empresas) e venture capital (capital de risco) e foi responsável pelas saídas (quando os investidores vendem sua parte para fundos maiores) de empresas como Buscapé e Netshoes. Mesnik tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.



Após estudar o mercado brasileiro, os dois executivos, juntamente com Marcelo Picanço, diretor financeiro da seguradora, definiram como seria a atuação do primeiro fundo. Segundo Mesnik, o intuito deste primeiro fundo é trabalhar no meio termo entre duas camadas: grandes fundos de private equity e investidores semente (que apostam em empresas ainda em estágio inicial).



Ele citou como exemplos grandes fundos brasileiros, como Pátria e GP Investments, que aplicam quantias elevadas, em contraponto a fundos semente, que aportam até alguns milhões em empresas nascentes.



A maior parte do fundo da Porto Capital, cerca de R$ 300 milhões, será destinada a empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 150 milhões. "A estimativa é aportar R$ 50 milhões em cerca de cinco empresas nesse estágio", disse Mesnik.



A outra parte do fundo será para aportes menores, de tíquete médio entre R$ 3 milhões a R$ 5 milhões, e terá como alvo cerca de dez empresas. Além desse montante inicial, a Porto Capital terá preferência para seguir realizando outros aportes nessas empresas.



Para se mostrarem interessantes para o fundo, as empresas terão de contar com uma vantagem competitiva clara, diz Mesnik. Precisam atuar num mercado grande ou potencialmente grande. A equipe tem que ser boa e ter experiência no ramo da empresa ou produto. E a empresa precisa ter saúde financeira, ou seja, ter lucro ou perspectiva de crescimento.



A projeção é de até 2022 o fundo já ter todas os investimentos definidos. A partir daí os diretores terão mais cinco anos para alavancar essas empresas. Segundo Mesnik, o Porto Capital ficará com cerca de 35% de participação nas empresas investidas e trabalharão juntamente com elas, inclusive com direito a assento no conselho de administração.



Mesnik vê como possíveis saídas a venda para fundos de investimento maiores, como os citados GP e Pátria. "Temos bastante convicção de que as empresas em que investirmos serão muito atraentes para o mercado", afirma.



Financiando o fundo



A Porto Seguro está comprometida a aportar entre 10% e 20% do fundo. Além disso, investidores brasileiros e estrangeiros podem fazer parte do Porto Growth Edge I. O valor mínimo de investimento é de R$ 5 milhões. "Além disso, a gente tem conversado com fundos de pensão de multinacionais, bancos de fomento lá fora, fundações, enfim um leque grande. A ideia é compor uma base de investidores eclética", diz Mesnik.



Como a duração do fundo é de dez anos, antes disso novos produtos devem surgir na Porto Capital. No entanto, Mesnik deixa claro que o grande objetivo é consolidar esse primeiro fundo. "A filosofia da empresa é que temos um projeto grande e sólido de um novo business da Porto Seguro", conclui. 



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