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Os investidores da bolsa de valores brasileira (B3) já estão levando mais em conta a alta do preço internacional do petróleo do que o risco doméstico na avaliação de papéis do setor de combustíveis como Petrobras e Braskem.

É o que se percebe da avaliação de analistas que cobrem o setor. De 11 analistas que acompanham o desempenho da Petrobras, nove recomendam a manutenção, e dois a compra dos papéis ordinários (ON) ou preferenciais (PN). E no caso de Braskem PNA, de sete analistas, cinco recomendam a compra e dois a manutenção.

“Mesmo com os riscos políticos – de interferência do governo nos preços domésticos – ninguém está orientando a venda desses papéis. O preço internacional do petróleo está instável, mas com tendência de alta, e tem forte correlação com o valor das ações”, diz o analista da Spinelli, Álvaro Frasson.

Na opinião dele, a entrada de Ivan Monteiro na presidência da Petrobras após a saída de Pedro Parente (atualmente na BRF) não trouxe prejuízos aos papéis. “Os investidores estão menos preocupados do que antes. O risco político e jurídico existe, mas para o mercado – até o momento – não houve uma interferência tão grande. Se o reajuste dos combustíveis é diário ou mensal é uma questão, mas o importante é que acompanha o preço internacional do barril de petróleo”, argumentou o analista.

Por outro lado, ele alerta que se determinados candidatos à presidência da República tomarem a dianteira nas pesquisas com a ideia de vinculação do preço dos combustíveis ao custo da produção local, o risco aumentará. “O discurso de Ciro Gomes (PDT) vai nesse sentido”, mencionou Frasson.

Ontem, o papel Petrobras PN fechou em alta de 0,17%, a R$ 17,50. No mercado internacional, o preço do barril de petróleo do tipo Brent subiu 0,60% para US$ 77,80 em Londres. Já o tipo WTI avançou 0,27% para US$ 74,14 por barril de petróleo no Texas (EUA).

No caso da Braskem, o analista completou que o papel da petroquímica se beneficia do movimento de valorização de petróleo. “A empresa consegue preços até acima das variações internacionais e deve mostrar margens melhores nesse ano”, disse o analista da Spinelli.

Ao mesmo tempo, ele avisa sobre um possível reflexo da venda pela Odebrecht de sua participação societária. “Se a compradora for a holandesa Lyondell Basell, os clientes da Braskem podem questionar o governo sobre a alíquota antidumping [de 14%] que protege a companhia brasileira”, disse. Ontem, no fechamento do mercado da B3, o papel Braskem PNA mostrou queda de 0,67%, cotado a R$ 50,40.

Carteiras recomendadas

Na Coinvalores, a analista-chefe Sandra Peres manteve a recomendação de Petrobras PN e Cosan ON, essa última ação também se beneficia da alta dos preços dos combustíveis no mercado internacional, por causa do aumento da competitividade do etanol no ambiente doméstico. “Internacionalmente, as questões políticas na Europa, a dinâmica de preços do petróleo e as iniciativas protecionistas de Trump deverão guiar o movimento das Bolsas ao longo do mês de julho”, relatou Sandra Peres.

Na Planner Corretora, também houve a entrada de Petrobras PN na carteira recomendada de julho, assim como a permanência de Cosan ON no portfólio para investimentos.