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Mesmo com o forte debate em torno da reforma das aposentadorias e pensões públicas, o segmento de previdência complementar (aberta e fechada) protege menos de 10% da população brasileira.

Ao todo, cerca de 19,7 milhões de pessoas são relacionadas com planos de previdência complementar, sendo 13,4 milhões no sistema aberto (titulares e crianças), e 7,3 milhões no sistema fechado (contribuintes ativos, assistidos e dependentes).

Para aumentar a cobertura populacional, o presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) Luis Ricardo Martins, destacou o projeto do produto financeiro de longo prazo Prev Sonho e disse que busca, junto ao governo, uma flexibilização para que adesão aos planos fechados possa ser estendida até o terceiro grau de parentesco do associado. “Temos que ofertar maior proteção social às famílias”, afirma o presidente.

Os fundos de pensão – como são chamados as entidades fechadas de previdência – reúnem patrimônio líquido de R$ 830 bilhões. A maior parte dos planos está com superávit (491), enquanto outros (192) registram déficit.

No sistema aberto, em que as pessoas contratam fundos (VGBL e PGBL) com instituições financeiras (bancos, gestoras e seguradoras), o setor segue crescendo em ritmo forte em patrimônio financeiro, mas a captação líquida desacelerou no ano passado.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram um crescimento de 18,76% do patrimônio para R$ 729,75 bilhões em fundos de previdência. A captação líquida – a diferença positiva entre aportes e resgates – recuou 5,3% para R$ 45,407 bilhões em 2017, quando comparado com os R$ 47,944 bilhões registrados em 2016.

“É uma captação robusta, a preocupação com a reforma da previdência social [pública] mexe com a cabeça das pessoas”, identificou a consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco.

Ao mesmo tempo, o aumento do patrimônio foi impulsionado pela boa performance dos ativos no ano passado. A previdência renda fixa teve rentabilidade de 10,91%; enquanto a previdência multimercados entregou retorno de 11,41%; e a previdência ações, ganho de 26%. “Com o cenário de juros baixos, a migração para previdência multimercados deve continuar em 2018. Além disso, estava muito concentrado em renda fixa, mais de 93% do patrimônio”, diz Sandra.

Já o presidente da Abrapp também aponta que neste ano, os gestores de planos fechados provavelmente vão se arriscar um pouco mais para obter melhor rentabilidade nas carteiras. “Vejo um aumento da tendência para renda variável (ações) e multimercados”, prevê Luis Ricardo Martins.

Sobre o crescimento do segmento fechado, Martins contou que a previdência associativa está avançando. “Os planos instituídos de classe estão registrando aumento das adesões”, afirma. Ele citou o caso da fundação OABPrev de São Paulo, que exibe uma média de 700 adesões mensais.

Cenário para aportes

O economista-chefe da Mapfre Investimentos, Luis Afonso Lima, acredita na continuidade da melhora dos balanços das empresas, com números mais expressivos em 2018, fato que deve gerar boas oportunidades no mercado de ações. “Por isso, iniciamos o ano comprados em aproximadamente 15% do portfólio dos fundos multimercados em ações”, afirmou o economista em relatório.

Na visão dele, no mercado de renda fixa, o movimento de otimismo da curva de juros local foi subestimado, pois a projeção era de um cenário mais alto para a taxa Selic em 2017. “Em 2018, apesar do balanço de riscos ser elevado devido à incerteza gerada pelas eleições presidenciais, a curva de juros inicia o ano com grande prêmio de risco, em especial nos vértices mais longos. Por isso, começamos o ano pré-fixados na parte intermediária da curva de juros”, relatou Lima.