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O Ibovespa caiu pelo terceiro pregão seguido ontem, passando para o vermelho em novembro e ficando abaixo dos 86 mil pontos, diante do pessimismo com mercados emergentes, em dia de decisão de juros nos EUA e noticiário corporativo local.

Referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,39%, a 85.620,13 pontos, na mínima da sessão. No começo dos negócios, o Ibovespa subiu quase 1%. O volume financeiro do pregão somou R$ 15,9 bilhões. No mês, o Ibovespa agora acumula queda de 2%.

No exterior, o ETF IShares MSCI para ações de mercados emergente listado nos EUA caía 2,5%, com a bolsa do México desabando 5% em meio a preocupações sobre proposta de senadores para reduzir ou proibir a cobrança por bancos de tarifas por alguns serviços.

Para o operador Alexandre Soares, da BGC Liquidez DTVM, o movimento também refletiu mudanças de portfólios, com saída de emergentes para mercados desenvolvidos. Os principais índices de Wall Street tinham queda no fim da tarde, mas menores do que as vistas no emergentes. O S&P 500 cedia 0,3%.

Nos EUA, o Federal Reserve manteve a taxa de juros estável ontem, em linha com o esperado, e disse que os fortes ganhos no mercado de trabalho e gastos de consumidores mantiveram a economia no caminho previsto. “Houve modestas mudanças no comunicado, notando forte expansão nos gastos das famílias e moderação nos investimentos”, destacou o Bank of America Merrill Lynch, em nota a clientes.

Para o analista Felipe Bevilacqua, sócio-fundador da Levante, a mensagem do Fed no comunicado que acompanhou a decisão indica que a atividade econômica nos EUA segue crescendo em ritmo forte. “Com isso, a expectativa de juros futuros aumentou... o que acabou impactando mercados de forma negativa, em particular nos países periféricos, caso do Brasil”, afirmou.

Dado do cenário externo agitado e o noticiário corporativo vigoroso, notícias sobre a transição de governo e a atividade do Congresso Nacional ficaram um pouco de lado, diante da ausência de novidades relevantes nesta sessão.

Em nota, a equipe da corretora H.Commcor afirmou que a ansiedade dos investidores com a agenda de reformas do próximo governo acaba deixando ativos locais mais propensos a correções e aos movimentos internacionais.

Entre os destaques, Petrobras PN fechou em baixa de 3,61%, conforme os preços do petróleo ampliaram perdas, endossando nova correção negativa nos papéis da petrolífera de controle estatal, que ainda acumulam alta de 58% no ano.

Petrobras ON caiu 3,29%. Mais cedo, ajudou a aprovação no Senado de requerimento que confere o regime de urgência para projeto de lei da cessão onerosa.

Já Cielo desabou 9,58%, para R$ 11,04 , mínima de fechamento desde 18 de fevereiro de 2013, conforme persistem preocupações com o resultado da maior empresa de meios de pagamentos do país devido à maior competição no setor.

O papel da Estácio desabou 8,42%, uma das maiores quedas do Ibovespa, mesmo após a empresa de ensino divulgar lucro líquido de R$ 194 milhões no terceiro trimestre, alta de 30% ante mesma etapa de 2017. Analistas consideraram os números bons. No setor, Kroton caiu 5,49%, a companhia divulga balanço antes da abertura do pregão nesta sexta-feira (hoje). /Reuters