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O Santander aposta no crédito imobiliário para avançar ainda mais seu market share de crédito e depósitos. Com a menor taxa do mercado até julho, expectativa é que movimento aumente número de clientes e impacte até mesmo resultado de comissões.

De acordo com o presidente do banco privado, Sérgio Rial, como parte da estratégia de aumentar o foco no crédito imobiliário, o Santander reduziu a taxa dos 9,49% – vistos desde o primeiro semestre de 2017 – para 8,99% e deverá mantê-la fixa nesse patamar até o último dia de julho, quando analisará as condições macroeconômicas do País e reavaliará os juros.

“Somos, hoje, a empresa com a maior produção de crédito imobiliário no País e vamos continuar nessa ambição, sempre com um convite à portabilidade”, explica.

Ele pondera ainda que é importante que se perceba as transformações do mercado.

“Chegar em 2018 com um banco privado oferecendo taxas de juros inferiores à de um banco público, significa que algo está mudando para melhor”, complementa Rial.

Além disso, como parte estratégica do banco quanto à portabilidade, o movimento mais forte no crédito imobiliário também influenciaria em um maior número de clientes e, consequentemente, em ganhos maiores com comissões.

Só no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, o Santander teve alta de 11,5% nessas receitas frente ao mesmo intervalo de 2017, de R$ 3,709 bilhões para R$ 4,134 bilhões.

Os principais destaques, nesse sentido, foram as receitas provenientes de conta corrente (+22%, de R$ 654 milhões para R$ 798 milhões), seguida por Cartões (+17,8%, de R$ 1,154 bilhão para R$ 1,360 bilhão) e por seguros (+12,6%, de R$ 588 milhões para R$ 662 milhões).

Segundo o presidente do banco espanhol, além do imobiliário, o financiamento ao consumo, crédito consignado, empréstimos às pequenas empresas e no setor de agronegócio também podem trazer avanços no market share.

“O financiamento agro pode não ter impacto material ainda este ano, mas é uma aposta recorrente, na qual, mesmo sentindo uma concorrência cada vez mais acirrada já estamos migrando para os dois dígitos de share”, comenta Rial.

Ele afirma que outras novidades também estão no radar do banco no setor.

“Na medida em que crescermos, fica mais fácil depurar outros processos. Há a possibilidade de vendermos hedge para o setor de café e de operarmos o segmento de energia como ativo, por exemplo”, diz.

Carteira

A carteira de crédito do banco, por sua vez, demonstrou um aumento de 9% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2017, de R$ 257,2 bilhões para R$ 280,4 bilhões.

Os avanços foram puxados, principalmente pelo financiamento ao consumo, de R$ 35,8 bilhões para R$ 43,6 bilhões (+21,9%), e pelos empréstimos para pessoas físicas, que subiram 21% na mesma base de comparação, de R$ 93,9 bilhões para R$ 113,7 bilhões.

No que diz respeito às pessoas jurídicas, o avanço veio das pequenas e médias empresas (+5,6%, de R$ 32,5 bilhões para R$ 34,3 bilhões), enquanto as grandes companhias mostraram queda de 6,5% em igual relação, de R$ 94,8 bilhões para R$ 88,7 bilhões.

“O mix de produtos e segmentos mudou no Santander e a aposta hoje é em pessoas físicas e PMEs”, alega o presidente, acrescentando que “é difícil” operar com grandes companhias no momento.

“Mesmo que o custo para as grandes empresas tenha caído tremendamente ante às melhores condições de risco, o spread para elas recuou e o mercado de capitais ganhou força”, completa Rial.

Para o presidente, porém, ainda que tenha havido um recuo na taxa básica de juros do País (Selic) e uma melhora na inadimplência total do banco (estável em 2,9%), a queda generalizada do spread bancário deve ser “uma tarefa conjunta” do sistema financeiro.

“É preciso uma postura mais proativa dos bancos e a indústria como um todo precisa atacar a questão do spread para trazê-lo para baixo, principalmente porque não é uma situação populista, mas estrutural”, avalia Rial e reflete a necessidade de um governo reformista para o ano que vem.

“Se não voltarmos a falar das reformas importantes, a redução do spread irá ruir. Para que isso não aconteça, é equilíbrio fiscal e trabalho dos bancos”, conclui o presidente.

A sede do banco no Brasil registrou alta de 25% no lucro líquido dos três primeiros meses de 2018 ante igual período de 2017, de R$ 2,280 bilhões para R$ 2,859 bilhões.