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O mercado de meios de pagamentos tende a focar seus diferenciais em serviços e tecnologia no longo prazo, afirma especialista. Para ele, guerra de preços se torna algo de “curto prazo” ante a crescente concorrência no segmento.

De acordo com o diretor de produtos e adquirência da Adyen, Pedro Cardoso, apesar de “uma parte da briga” ser voltada para a concorrência nos preços, a maior parte da solução para o setor está relacionada à mudança de comportamento do consumidor.

“A forma com que o comprador interage com o estabelecimento está mudando e, por isso, a tecnologia precisa mudar”, afirma o executivo, reiterando que apesar da guerra de preços ainda ser algo comum, ela tem um prazo de validade.

“O mercado foi fechado por muito tempo e só foi abrir efetivamente entre 2013 e 2014. É natural que haja gordura para queimar nos preços praticados, mas isso tem fim rápido e é preciso pensar no longo prazo”, complementa Cardoso.

Ao mesmo tempo, ao longo do último ano, o Banco Central também tem mostrado um posicionamento bastante “aberto” às novas tecnologias e, consequentemente, às fintechs como novas entrantes no mercado de meios de pagamento.

De acordo com Cardoso, da Adyen, além de o BC estar voltado a um movimento importante para garantir a competição no segmento, ele também tem trazido as condições necessárias para que o próprio mercado crie suas soluções.

“Se o setor quer achar uma solução para o parcelado, por exemplo, ela é naturalmente criada por meio da maior competição”, avalia o executivo.

“A concorrência vem aumentando e o BC tem um forte papel nesse cenário. As regras são muito claras e isso é muito positivo”, acrescenta.

Já em relação aos níveis de segurança do setor, o especialista destaca dois pontos principais. O primeiro, que diz respeito à proteção de dados, segue padrões internacionais e, por isso, mostra cada vez menos lacunas nos processos de operação e transação.

O segundo, que responde às fraudes, exige atualizações e buscas constantes pelo chamado Sweet Spot (Patamar adequado de fraude na companhia, suficiente para que a companhia não restrinja sua aceitação e consiga manter os níveis de perda aceitáveis).

“Existe um equilíbrio e, nessa linha, um ponto interessante é a discussão frequente no mercado sobre novas formas de identificação do portador, para torná-la mais rápida, fácil e menos traumática”, disse.

Perfil do consumidor

Dentre as expectativas do setor de meios de pagamento, o diretor da Adyen ressaltou a importância do e-commerce para o crescimento do mercado.

Segundo Cardoso, enquanto o varejo teve crescimento de 2% em 2017, as vendas online avançaram 12% no período.

“O e-commerce tem puxado o varejo e já prova que o online vai ocupar o espaço do off-line e mudar totalmente o comportamento do mercado”, explica Cardoso e comenta que os últimos do BC sobre pagamentos presenciais, por exemplo, já comprovam essa transição.

“De 2016 para 2017, houve uma transformação do perfil e dos hábitos do consumidor, até mesmo quanto a experiência da compra. O varejo já muda conforme o comportamento do cliente e o mercado de meios de pagamentos também precisa se adaptar”, conclui.