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(Texto atualizado em 06/03 para correção de informações. Sergio Furio é espanhol, mas não madrilenho; a empresa foi criada em 2012 e definiu o modelo de crédito com garantia em 2013; o tíquete médio de empréstimos com garantia de veículo é R$ 18 mil; e os aportes séries A e B marcaram a entrada de novos fundos, mas com participação dos que já eram sócios)



SÃO PAULO - O espanhol Sergio Furio trabalhava no mercado financeiro em Nova York quando percebeu uma oportunidade de negócios no Brasil. Ele fundou em São Paulo, em 2012, a BankFacil. Em 2013, de olho na popularidade na Europa e nos EUA dos empréstimos com garantia, modalidade pouco conhecida por aqui, ele ajustou o modelo de negócio para atuar com esse foco. Hoje, rebatizada como Creditas, a startup já administra uma carteira de R$ 135 milhões em crédito ativo.



A plataforma é um marketplace que atua em parceria com bancos, mas oferece taxas mais baixas do que as praticadas diretamente por essas instituições porque suas operações têm a garantia de um carro ou imóvel do tomador. Além disso, a startup opera com custos baixos, por não ter uma rede física de agências como os bancos convencionais. 



Segundo o empreendedor, o mercado brasileiro combina duas características únicas: as taxas de juros extremamente altas e a carência na oferta de crédito com garantia. Furio queria mudar esse cenário - e o reposicionamento da marca, em 2017, tem como objetivo deixar claro o tipo de serviço que a startup oferece, diferente das linhas disponíveis nos bancos. "A ideia é entregar um crédito com qualidade e baixo custo", afirma.



Como o crédito tem um risco muito menor em função do imóvel ou veículo que o tomador apresenta como garantia, a startup oferece taxas menores do que as praticadas por instituições financeiras. As taxas são de 1,15% ao mês no caso de garantia em imóveis e de 1,99% no de veículos.



A operação na plataforma é simples. O interessado faz uma simulação pelo site para saber se está qualificado para receber o montante desejado. Em caso positivo, envia os documentos básicos e, em paralelo, a Creditas faz a formalização do contrato.



Uma vez realizada a vistoria e constatado que o veículo ou o imóvel está em boas condições, a startup faz a intermediação entre o tomador e o credor. "Vemos a melhor opção. Às vezes, vai para um fundo de investimento ou instituição financeira, por exemplo", diz Furio.



Quando o crédito tem como garantia um veículo, a quantia chega na conta do interessado em 48 horas. Nesse tipo de operação, o valor médio dos empréstimos é de R$ 18 mil. No caso de um imóvel como garantia, o valor médio é de R$ 180 mil e a quantia chega em até 60 dias para o interessado.



No caso dos empréstimos de menor valor, o prazo de pagamento é de cinco anos, contra 20 anos quando um imóvel é dado como garantia. Esse segmento conta com uma taxa de inadimplência menor que a do mercado, diz o empreendedor. "No imobiliário é menos que 0,5% e nos veículos está abaixo de 4%", afirma Furio. Como o bem é a garantia, ele pode ser retomado caso em caso de inadimplência. 



De acordo com o CEO da plataforma, 80% da demanda é de operações com um veículo como garantia, contra 20% dos imóveis. No entanto, as duas modalidades têm a mesma relevância no faturamento da startup.



Reconhecimento



Apesar de já ter três anos de atuação, a Creditas segue crescendo em proporções de uma startup em seus primeiros meses de vida. No ano passado, a empresa triplicou em faturamento, afirma Furio, apesar de não revelar o valor. Além disso, em apenas seis meses o negócio atraiu dois aportes, totalizando quase R$ 100 milhões.



Em meados de 2016 a empresa recebeu um investimento série A.Com os recursos, conseguiu triplicar o número de clientes e o faturamento, e despertou também o interesse de outros fundos para um aporte série B.



Os aportes das séries A e B marcaram a entrada de novos fundos, mas tiveram participação dos que já eram sócios: RedPoint e.ventures, Quona Capital e QED Investors. A segunda rodada também teve o Kaszek Ventures, fundo de venture capital argentino dos fundadores do Mercado Livre. 



No início de fevereiro de 2017 foi anunciada a cifra de R$ 60 milhões que a startup vai receber do International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial, e do fundo de investimento sul-africano Naspers. Com o montante, a companhia deve crescer também em número de funcionários. "Temos 120 no momento e vamos para 200 até o final do ano", diz Furio. 



Além do reconhecimento por parte dos investidores, a revista norte-americana Fast Company, referência internacional em empreendedorismo, classificou a Creditas como a quarta startup mais inovadora da América Latina em 2017. "Já fomos reconhecidos em outras premiações. Avalio de forma positiva esse reconhecimento que recebemos", diz Furio.