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São Paulo - O uso dos canais digitais no segmento bancário, em 2015, aumentou 29,2% em relação a 2014 e apresenta "forte tendência de crescimento no País". O investimento de instituições financeiras no setor, no entanto, caiu 9,5% na mesma base de comparação.

De acordo com pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), dos 54 bilhões de transações feitas em 2015, mais de 29,1 bilhões (54%) correspondem a operações por meio de internet ou mobile banking.

Segundo Gustavo Fosse, diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban, apesar da "estabilização" dos demais canais, a alavancagem de 138% no uso de aplicativos bancários pelo celular (de 4,7 bilhões de transações em 2014 para 11,2 bilhões em 2015) e a maior aderência pelos meios digitais têm impacto direto na bancarização da população, que, hoje, alcança os 89,6%.

"O crescimento desse meio pode ser atribuído a diversos fatores, como a disseminação de smartphones, a maior conveniência desse tipo de transação e a cultura, por exemplo. A gente tem observado que os canais que exigem presença física tem diminuído sua participação no total e isso reflete a tendência dos meios digitais. Os bancos estão investindo nisso e têm apostado que o uso de mobile vai se manter de maneira forte daqui pra frente", avalia.

O estudo aponta que operações sem movimentação financeira nos canais digitais pularam de 70% em 2014, para 76% em 2015, enquanto aquelas com movimentações financeiras no segmento foram de 19% para 20%, na base de comparação.

"O cliente está mais próximo e mais inserido nos serviços financeiros, e é natural que as transações sem movimentação financeira [como saldos e extratos] tenham um aumento visível nesse cenário", complementa o executivo.

Ainda de acordo com o levantamento da federação, feito com 96% da rede bancária do País, as instituições financeiras totalizaram R$ 19 bilhões de investimentos em tecnologia no acumulado do ano passado. O valor corresponde a uma queda de 9,5% em relação a 2014 (R$ 21 bilhões).

Para o executivo da Febraban, no entanto, o número "é expressivo" e corresponde a 13% de todo o investimento em tecnologia no País.

"Houve, sim, uma manutenção por parte dos bancos, além dos efeitos da crise, da economia e da baixa no preço de commodities de TI [Tecnologia da Informação], mas é uma pequena redução se compararmos com o resto do mundo", afirma Fosse. Para ele, apesar da estabilização do internet banking, a tendência dos aplicativos bancários nos smartphones "forte tendência de crescimento no País".

Uma pesquisa complementar, realizada pela consultoria Deloitte, mostra que entre dois mil entrevistados, pelo menos uma vez por semana, 41% consulta o saldo bancário, 19% realizam, pelo menos, uma transferência de dinheiro e 22% pagam ao menos uma conta pelo mobile banking. Do total, 89% possuem smartphone e 86%, conta no banco.

Receita

Segundo os especialistas da federação, apesar de ser um segmento mais barato para os bancos, uma vez que os gastos na construção e gerenciamento de agências e centrais de atendimentos não acontecem, o volume de transações deixa os gastos "equilibrados".

"Existem canais que a gente investe, por exemplo, e que não cai no gosto popular. Mas o que a gente observa é que toda vez que trazemos uma transação para o canal digital que os clientes aceitam e utilizam, há um aumento de custo transacional. Vai muito da matriz de custo de cada banco", explica Fosse, da Febraban.

Dados da pesquisa apontam que ante a "transformação digital", o número absoluto de agências físicas recuou de 23,1 mil para 22,9 mil. Além disso, os Postos de Atendimento Bancário e Eletrônico (PAB e PAE) também caíram 10,7%, indo de 51 mil unidades em 2014 para 45,5 mil em 2015.

Os correspondentes bancários também apresentaram retração no mesmo período de comparação, ao passar de 346,5 mil, para 293,8 mil, um recuo de 15,2%.

Por outro lado, para Sergio Leo, diretor de políticas de imagem e comunicação da Febraban, mesmo com a redução de agências, correspondentes bancários e postos de atendimento, as vagas formais dos bancos continuam equivalentes a meses anteriores.

"Boa parte da redução do número de funcionários se deve a programas de aposentadoria voluntária dos grandes bancos. Segundo dados do Caged [Centro Geral de Empregados e Desempregados], as instituições financeiras no Brasil contrataram mais do que demitiram, porque tem aproveitado os quadros que surgem no sistema", reforça.

De acordo com Fosse, a diminuição de agências físicas no setor tende a acontecer, mas "não há como dizer a intensidade". "Quem vai ditar esse ritmo serão os próprios clientes. Porém, existe também uma mudança de perfil dessas dependências, principalmente nos grandes centros, com um foco mais consultivo e para operações mais customizadas, já que ficaria ruim automatizar isso também. O que discutimos é que os bancos mantenham a qualidade do serviço", conclui o executivo.