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A empresa de criptomoedas Atlas Project aposta no interesse do consumidor comum em investir em moedas digitais e de que o futuro trará mais crescimento a esse novo mercado financeiro.

É o que afirma o CEO e fundador da fintech, Rodrigo Marques. Segundo ele, com o mercado brasileiro de criptomoedas em ascensão, estão surgindo empresas que vêem no setor uma oportunidade para lançar soluções e testar novos modelos de negócios, como foi o caso da Atlas.

A startup brasileira, fundada em 2015, teve seu processo de ampliação das operações no ano seguinte, quando recebeu investimentos da WOW, aceleradora dessas empresas do sul do Brasil. Com isso, a fintech passou de 12 a 107 funcionários, de 32 para 200 mil clientes no País, além de atuar em mais de 50 países no último ano.

A empresa passou por diversos estágios de mudança. De uma exchange de nível internacional, passou a atuar com um modelo de aplicações conhecido como Quantum, seu principal serviço de investimentos em Bitcoins.

O algoritmo do serviço busca, entre diversas exchanges de Bitcoin, os melhores preços de compra e venda da criptomoeda e também executa ordens de compra e venda de maneira automatizada, distribuindo lucro com os clientes. O cliente então deposita seus Bitcoins na plataforma, que depois distribui os lucros, diariamente, para cada consumidor, em relação a proporção do seu investimento.

Segundo Rodrigo Marques, a tecnologia das criptomoedas, ainda considerada recente, criou oportunidades infinitas para o mercado. “Nosso objetivo é, por meio de moedas digitais, democratizar os serviços financeiros e tornar a geração de patrimônio universalmente acessível. O futuro desse novo modelo é de desintermediação, de promover o acesso direto do consumidor às moedas digitais, isso já é irreversível. Acredito que a Atlas estará à frente dessa mudança”, afirma em entrevista ao DCI.

O perfil dos clientes adeptos desses investimentos é de consumidores entre 25 a 40 anos, inteirados de alguma maneira com a tecnologia e que vêem nas criptomoedas uma oportunidade de realizarem suas primeiras aplicações. “Temos histórias de clientes que conseguiram alcançar seus objetivos no prazo de apenas um ano” comenta Marques.

Ainda segundo o CEO, as perspectivas para 2018 são positivas. “Nós tivemos um crescimento dez vezes maior do que no ano passado, e pretendemos estar presente em 80 países até o final deste ano. Atualmente somos a maior empresa de criptomoedas da América Latina, e em dois anos pretendemos ser a maior do mundo”, afirma.

Regulamentação

Marques considera que o setor ainda passa por desafios no Brasil, principalmente em relação às medidas regulatórias. Por se tratar de um mercado emergente e volátil – dado a instabilidade das moedas digitais – houve um aumento da preocupação para regular o setor. O Banco Central chegou a emitir um comunicado, no final do ano passado, onde alertava sobre os riscos de uma bolha criada pelo Bitcoin.

“Além da falta de incentivo ao empreendedorismo no País, os modelos regulatórios apresentados mudam frequentemente e surgem a cada semana”, explica.

Segundo ele, a regularização das criptomoedas, entretanto, poderá trazer aspectos positivos ao mercado. “Este será um dos desafios mais relevantes de 2018, não só no Brasil como no mundo todo. A discussão é relevante. No nosso país, existem propostas interessantes, como a baseada no modelo inglês, onde o setor tem oportunidade de crescer e se tornar relevante”, comenta.

Em torno da discussão, foi fundada no mês de abril, em São Paulo, a Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB), um movimento liderado pela Atlas Project, que tem como objetivo principal a criação de um diálogo sobre o mercado com o poder público, além de ações que visam se beneficiar do desenvolvimento tecnológico e da inovação característicos do setor de criptomoedas e de blockchain.

“O mercado de criptomoedas é o novo Vale do Silício, local que começou a revolucionar a tecnologia nos Estados Unidos por volta dos anos 70. A pergunta é: será que o novo vale pode ser do Brasil? A inovação das moedas digitais pode gerar grandes empresas, os famosos ‘unicórnios’, e o Brasil não pode perder essa oportunidade”, conclui.