Publicado em

A Tigre promete endurecer a disputa com a Amanco pela liderança do mercado de tubos e conexões. No mesmo dia em que a concorrente anunciou planos ambiciosos para ampliar sua participação no mercado, o diretor predial da Tigre, Paulo Nascentes, afirmou que, nas estimativas de expansão da empresa, está prevista a manutenção da liderança de vendas no País. Como as duas empresas respondem por mais de 60% do mercado de instalações prediais, a expectativa da Amanco de ampliar sua participação depende diretamente de conquistar mercados hoje dominados pela Tigre.O objetivo da Amanco, no ano passado, era ampliar sua participação de mercado no segmento de instalações prediais de 21% do total, no início de 2006, para 26% a 27% até o final de 2008. No primeiro ano em que intensificou a presença da marca junto aos consumidores, a fabricante elevou sua participação de 21% para 23%. O presidente da Amanco no Brasil, Marcos Bicudo, acredita que, entre os dois pontos percentuais conquistados pela empresa, cerca de 1,5 ponto percentual foi resultado direto da concorrência com a Tigre, que hoje possui cerca de 40% do mercado.A Tigre, por sua vez, tem como objetivo manter sua liderança no mercado, além de ampliar suas atuações no exterior, destaca Nascentes. Para isso, mira um amplo potencial de crescimento da demanda. "Acreditamos que o tamanho do mercado de tubos e conexões poderá ser até três vezes maior do que o atual com a efetivação da Lei do Saneamento", afirma.Nascentes lembra que a lei, considerada um marco regulatório para o setor por definir qual esfera pública é responsável pelas obras de saneamento, deverá valer apenas dentro de dois anos. "Mas se avançar, o Brasil precisaria de investimentos de cerca de R$ 10 bilhões anuais, o que demandaria a abertura de diversas outras linhas produtivas no País", completa o executivo da Tigre.Caso se confirme a perspectiva de ampliação da demanda interna, a Amanco tem a seu favor um importante aliado para ampliar sua capacidade produtiva no País: o grupo mexicano Mexichem, que adquiriu o grupo Amanco oficialmente no início deste mês. A companhia, que atua em toda a cadeia do PVC, passou a ter um faturamento anual de US$ 2,5 bilhões após a aquisição da Amanco e da petroquímica colombiana Petco.Com receitas em níveis elevados, a empresa ganha força para ampliar os investimentos no Brasil."Passamos a fazer parte de um grupo extremamente sólido e isso refletirá em uma aceleração dos investimentos, ainda mais ambiciosos", diz Bicudo. É provável que, dentro de três meses, a Amanco anuncie novos aportes. Entre eles estaria o projeto de ao menos uma nova fábrica no País.Além disso, revela a diretora corporativa de Marketing do grupo Amanco, Marise Barroso, o grupo Mexichem deverá dar continuidade à política de aquisições para consolidar sua posição em toda a América Latina.CrescimentoA pretensão da Amanco de ampliar sua fatia no mercado predial provavelmente será atingida, e quem indica isso é a própria Tigre. Isso porque a líder prevê crescer entre 7% e 10% em 2007, segundo informou anteriormente ao DCI o presidente da companhia, Amaury Olsen. O mercado nacional, por sua vez, deverá apresentar expansão de cerca de 5%, segundo Nascentes. A Amanco pretende crescer na "casa dos dois dígitos", prevê Bicudo. Essa expansão, segundo projeções da empresa quando definiu as metas para crescer no Brasil, deverá ficar em cerca de 15%. Para isso, a empresa investirá R$ 35 milhões em marketing e lançamento de produtos neste ano.A primeira novidade da empresa é a Linha Silentium, cuja principal característica é o isolamento acústico. O diretor comercial da Amanco, Walfredo Linhares, destaca que esse produto representa uma exclusividade no País, por isso não é possível dimensionar, ainda, o tamanho de mercado do produto. Ele acredita que a linha será demandada, inicialmente, por grandes obras residenciais mas, a partir de 2008, deverá registrar expansão em redes hoteleiras e hospitais.A facilidade de instalação, vista no novo sistema da Amanco, também é apontada pela Tigre como fundamental para o crescimento dos negócios da fabricante. "As construtoras, principalmente, trabalham com a questão do prazo de entrega das obras, por isso a instalação rápida é fundamental para nossos clientes", analisa o gerente de Produto da Tigre, Paulo Gorayeb. A empresa levou à Feicon, que acontece até amanhã, em São Paulo, a linha Aquatherm, entre outros lançamentos. Uma de suas principais características é justamente a rapidez de instalação, comenta Gorayeb.InternacionalizaçãoAo mesmo tempo em que pretende manter a liderança no mercado interno de tubos e conexões do País, a Tigre intensifica sua estratégia de internacionalização. Até o final deste semestre, a empresa iniciará as operações de suas plantas fabris nos Estados Unidos e no Equador. Além disso, a companhia poderá retomar o projeto de instalação de uma planta em Angola, e analisa também o potencial de mercado de países como México, Peru e Colômbia.