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Com redução de 53,5% no lucro líquido no quarto trimestre de 2018 sobre um ano antes – indo a R$ 138 milhões –, a Azul Linhas Aéreas aposta no aumento da capacidade operacional promovida pela possibilidade de aquisição da concorrente Avianca Brasil para ganhar market share e sustentar a estratégia voltada para a redução de custos.

“Temos encarado a redução de custos como um desafio. O ganho de market share para a companhia será muito importante para continuarmos mantendo nossa estratégia de crescimento durante os próximos anos”, afirmou ontem (14) o presidente-executivo da companhia aérea por meio de teleconferência ao mercado, John Rodgerson.

De acordo com o executivo, no panorama geral, “existe grande otimismo dentro da companhia em virtude do aumento na capacidade de voos e potencial de crescimento também da demanda doméstica”. Segundo ele, a conclusão do processo de aquisição da Avianca Brasil – o qual teve valor de US$ 105 milhões – deve durar em torno de três meses, uma vez que requer a aprovação de órgãos reguladores.

“Pretendemos adicionar mais 21 aeronaves de nova geração e substituir 15 jatos mais antigos”, complementou o executivo. Ainda de acordo com ele, o otimismo com a formação da nova joint venture deve chegar a toda a indústria aérea.

Caso a operação entre as duas companhias for aprovada pelas autoridades competentes, a participação da Azul nos slots (espaços de pousos e decolagens) no aeroporto de Congonhas deve passar de 13 slots para 34 slots. Além disso, a iniciativa envolve também novos contratos de arrendamento de 30 Airbus A320.

Nessa perspectiva traçado pelo presidente-executivo da companhia aérea, o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, argumenta que – apesar da redução do resultado líquido no quarto trimestre de 2018 sobre um ano – a política de modernização da frota pode ser benéfica em termos de despesas. “Atualmente, dentro da frota de 125 aviões da Azul, cerca de 20 já são bem mais econômicos, além de comportarem uma quantidade maior de passageiros”, explicou ele.

Ainda de acordo com o analista, os custos da companhia apresentaram forte alta em 2018 devido às oscilações cambiais e dos custos de combustível em alta. “No último trimestre de 2018, o real registrou grande depreciação frente à moeda americana, o que comprometeu o resultado no período”, complementou ele.

Para Arbetman, o investimento da companhia também em outros segmentos e serviços tem auxiliado no ganho de market share nos últimos anos. “Na comparação do quarto trimestre de 2018 ante o mesmo período do ano anterior, a Azul Cargo cresceu 56%, e o programa de fidelidade subiu 29% no período”, afirmou. Além disso, o analista também reforça que “os slots adquiridos pela Azul muito estratégicos”, uma vez que tanto o aeroporto de Congonhas como Santos Dumont são considerados como os mais movimentados do País. “O foco dessa iniciativa é justamente aumentar a participação nas pontes aéreas, as quais têm maiores margens. Ajudar a empresa a complementar a receita”, argumentou o analista.

Ainda de acordo com o balanço, houve incremento de 14,5% no quarto trimestre de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior no Ebitdar (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação, amortização e custos com leasing de aeronaves) – chegando em torno de R$ 763 milhões. Por fim, a companhia aérea reportou ter terminado o ano de 2018 com um caixa de cerca de R$ 4 bilhões.