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Os bancos que investiram em consórcios tiveram altos índices de crescimento e rentabilidade, em 2005, e a perspectiva é que os bons resultados se repitam em 2006. As instituições começaram a operar consórcios em 2002 e, em pouco tempo, já são líderes nos segmentos de veículos e imóveis, por exemplo. Em 2005, a taxa de crescimento superou 40%.No ano passado, Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal e Bradesco distribuíram R$ 1,31 bilhão em créditos para os consorciados. Considerando-se que, em média, os bancos cobram 12% de taxa de administração sobre o valor da contemplação, estes bancos tiveram receita de R$ 157,7 milhões somente com as cotas contempladas em 2005 (sem contar a receita com os demais participantes).A Bradesco Consórcios começou a operar em janeiro de 2003 e em março de 2004 conquistou a liderança no segmento de imóveis. No mesmo ano, já detinha o maior número de cotistas de automóveis. Até novembro do ano passado, a empresa havia crescido, neste segmento, 24,84% em comparação com todo o ano de 2004. Na mesma comparação, a venda de consórcios de imóveis do Bradesco cresceu 84,96%. Em 2005, a venda de cotas de caminhões e tratores registrou um aumento de 21,42% em relação ao ano anterior.O market share no segmento de veículos saltou de 4,92%, em 2003, para 12,86%, em 2004 e para 16%, em 2005. A empresa detém 23,86% das vendas de cotas de imóveis, no Brasil. Esse número era 9,2%, em 2003, e 17,43%, em 2004. O banco acredita que esse número pode crescer ainda mais, já que muitas pessoas não sabem que podem usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como lance no consórcio.No geral, a Bradesco Consórcios cresceu cerca de 41%, alcançando 209 mil cotas ativas até novembro de 2005. Foram disponibilizados R$ 836,18 milhões em créditos a 33 mil contemplados, em 2005, contra 17 mil, em 2004. A previsão é que 49 mil pessoas sejam contempladas neste ano. O faturamento saltou de R$ 4,3 bilhões, no ano retrasado, para R$ 6,4 bilhões, no último ano, um crescimento de 48%. A expectativa é que aumente de 20% a 30%, em 2006."A venda de consórcios teve um grande crescimento desde a entrada dos bancos. Para o consumidor, é um produto muito atrativo porque não há cobrança de juros, somente taxa de administração. O Bradesco conquistou a liderança em imóveis e automóveis e vamos buscar maior participação nos caminhões e tratores", planeja Hélio Vivaldo Domingues Dias, gerente departamental. Segundo ele, a empresa não pretende atuar nos setores de eletroeletrônicos e de motos.A BB Administradora de Consórcios praticamente estreou no mercado, em 2005, é a terceira no ranking brasileiro, tendo 202 mil cotas ativas. São 42 mil cotas de veículos e 133 mil cotas de eletroeletrônicos. Segundo Sérgio Augusto Kurovski, da diretoria de varejo e responsável pela área de consórcios do BB, as vendas de tratores e caminhões foram prejudicadas pela queda das exportações. Em 2005, foram 65 mil contemplados que receberam R$ 250 milhões em crédito."Para 2006, nossa atenção será a venda de consórcios de veículos. O banco quer aumentar sua participação neste segmento, que tem maior valor agregado e fideliza o cliente", conta Kurovski. Ele evitou traçar metas de crescimento para este ano, mas espera repetir os números das vendas de cotas de automóveis que são financiados, na média, em 60 meses.O presidente da Caixa Consórcios , José Lopes Coelho, considerou 2005 um bom ano para a empresa. "A Caixa cumpriu seu plano de negócios, tanto em cotas vendidas quanto em resultados", afirma. Dentre as empresas de consórcios do setor bancário, a Caixa foi a primeira a operar, em novembro de 2002. Hoje, são 61,6 mil cotas ativas, sendo que 34,6 foram vendidas em 2005 - um crescimento de 128% em relação ao acumulado de vendas até 2004. No ano passado, foram entregues 3,9 mil imóveis que correspondem a R$ 228,7 milhões liberados. "Nossa expectativa para este ano é ainda melhor. Vamos lançar no primeiro semestre o consórcio de automóveis, com valores entre R$ 20 mil e R$ 77 mil. A meta é vendermos 4,2 mil cotas", diz Coelho. Não há planos para a venda de motos.Atualmente, a empresa detém 19% do market share do filão de imóveis, sendo que 43% dos clientes financiam residências com valor entre R$ 25 mil e R$ 50 mil. Já foram sorteados seis mil imóveis e outros 6,6 mil estão em fase de entrega. "Crescemos mais de 100% neste segmento em comparação com 2004, tanto em cotas quanto em faturamento. Para 2006, a previsão é que atinjamos 83 mil cotas ativas em imóveis, 24% de market share". Para atingir esses resultados, a Caixa Consórcio firmará parcerias com empresas para criação de outros canais de vendas.Desde 2002, o Consórcio Itaú vendeu 124,6 mil cotas. Foram 18,7 contemplações nos segmentos de veículos, motos e de imóveis. Em 2005, houve um crescimento de 19,5% em veículo, 14,2% em moto e 54,0% em imóvel em relação ao ano anterior. Foram quase 10 mil contemplações e o banco não divulgou o valor deste montante. O Itaú prevê que os consórcios cresçam mais de 25%, principalmente os imóveis.