Publicado em

O fortalecimento de concorrentes no mercado internacional de café solúvel reforça a necessidade de o Brasil expandir exportações e fomentar o mercado interno. Embarques registraram crescimento de 9,6% no primeiro semestre.

“Nossa estratégia é ampliar a base de consumo nos países em que estamos presente e abrir novos mercados onde o produto ainda não é habitual, como África, Oriente Médio e Ásia, especialmente na China”, declarou o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Indústrias de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima.

Ele afirmou que o desempenho das exportações nos seis primeiros meses do ano está acima das expectativas do setor. “Estávamos esperando cerca de 5% de crescimento”. Apesar disso, a receita cambial do período apresentou queda de 3,8%, impactada pela queda dos preços da saca de café.

O Brasil segue mantendo sua liderança histórica na produção e exportação de café solúvel. Porém, observa com atenção a aproximação de outros players, com destaque ao Vietnã, que há uma década não figurava entre os dez maiores exportadores e em 2017 alcançou o 4º lugar.

Dentro do planejamento estratégico, a Abics estabeleceu com meta expandir as exportações de 3,6 milhões de sacas para 5,4 milhões por ano até 2025, além de conseguir ampliar de 5% para 10% do total do consumo doméstico de café nesse mesmo período. Para atender esse objetivo, três fabricantes associadas recentemente anunciaram investimentos em ampliação e construção de novas unidades no Brasil: a Cia Cacique e a Olam Coffee irão instalar fábricas no Espírito Santo e a Cia. Iguaçu ampliará a capacidade de sua planta de Cornélio Procópio (PR). Esses aportes irão totalizar R$ 1 bilhão até 2022.

Acordo Mercosul-UE

Lima mostrou otimismo com o acordo de livre comércio firmado entre Mercosul e União Europeia. A Abics estima que, com a redução gradativa em quatro anos de tarifa de 9% para o café solúvel, as vendas para o bloco europeu podem crescer em 35% nos próximos cinco anos. “Há dez anos nossos embarques eram o dobro do atual, mas acabamos perdendo espaço com a mudança de patamar tarifário. A tendência é que, a partir do momento em que o acordo começar a vigorar, iremos recuperar boa parte desse mercado.”

Para fortalecer a presença do produto no exterior e fomentar o mercado interno, a entidade lançou, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) uma marca setorial “Crie & Curta”.

O anúncio foi feito na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Queremos ampliar nossa atuação no mercado brasileiro e incentivar o consumidor através das grandes marcas”, disse Lima.